AQUILOMBAR PARA REPARAR!

Especial Raça e Classe 2016

Mulheres negras não param de lutar

A opressão e a superexploração das mulheres e de negros faz da luta pela vida nossa força motivadora

Uma onda negra varre o país

Por Hertz Dias, da Secretaria Nacional de Negros e Negras do PSTU

domingo, 27 de novembro de 2016

Sobre a morte de Fidel Castro

Por: Wagner Miquéias F. Damasceno (PSTU Florianópolis-SC)

A morte de Fidel Castro, anunciada por seu irmão Raúl Castro, na manhã de 26 de novembro deste ano, deu vazão a uma onda de celebração, na maior parte da Esquerda, sobre a figura do líder cubano e sobre o caráter de Cuba.


Morre um homem que entrou para a História, e isto é um fato.

Além disso, nunca é demais dizer que nós, trotskystas e morenistas, consideramos a Revolução Cubana uma importante vitória dos explorados sobre o Imperialismo europeu e, sobretudo, estadunidense.

Nós defendemos todas as conquistas sociais advindas da Revolução e da superioridade de uma base econômica operária organizada por planos.

E é exatamente por isso que criticamos o papel contra-revolucionário exercido pelo castrismo em Cuba. Ademais, como bem disse Julio Anselmo, nossas críticas a Fidel não residem em um “democratismo infantil ou por uma defesa abstrata da vida. Não, não. A revolução é violenta. E para enfrentar a contrarrevolução, os revolucionários estão autorizados a utilizar todos os meios possíveis e impossíveis, guardados os princípios e a moral revolucionária”.

Algumas imprensas burguesas chegaram a asseverar que morrera o “último revolucionário”1; uma cantilena extemporânea, mas repetida por muitos comentaristas da luta de classes.

Muitos reformistas2 e stalinistas3 (nas mais diversas variantes) aproveitam a confusão na consciência herdada pelas sucessivas traições do próprio stalinismo e do próprio reformismo, para dizer que Fidel Castro morreu como um revolucionário e que isto deve se impor sobre toda as críticas.

Porém, isto não é verdade. Fidel Castro não morreu revolucionário, mas sim como um conservador. Portanto, como um contrarrevolucionário.

Fidel Castro foi um importante revolucionário em 1959 quando dirigiu o Movimento 26 de Julho e seguiu – ainda que política e metodologicamente equivocado – por mais alguns anos nesta condição. No entanto, Castro e seu grupo não construíram o socialismo em Cuba, mas sim uma ditadura burocrática que repousava sob bases operárias (estatização das empresas, coletivização das terras, controle do mercado externo etc). Não havia liberdade para os operários, camponeses, negros, mulheres e LGBTs em Cuba.

Fidel Castro não era operário, e o Movimento 26 de Julho era uma organização guerrilheira de composição social pequeno burguesa que brandia um programa de caráter nacionalista burguês. Evidentemente, isso não os impediu de fazerem uma revolução num pequeno país da América Latina, mas contribuiu decisivamente para que não avançassem na construção de um Estado Operário sob um regime de democracia operária. O alinhamento político cubano ao estalinismo da URSS teve como consequências, do ponto de vista ideológico, a adesão à tese contrarrevolucionária de que era possível construir o “socialismo em um só país” e, do ponto de vista político, a dedicação para frear os processos revolucionários internos e no mundo. O caso mais destacado deste papel foi a revolução nicaraguense, onde Fidel Castro chegara a dizer aos sandinistas que não fizessem da Nicarágua uma nova Cuba.

Por entender que só a verdade interessa à classe trabalhadora, nós trotskistas não “douramos pílulas”: o castrismo jamais avançou na construção de um regime de democracia operária na Ilha. E as principais conquistas sociais de Cuba repousaram na superioridade de um modelo de planificação econômica, resultado da mobilização popular e da situação social de um país agrário e um dos mais pobres da América Latina4, e não obra de uma liderança burocrática.

Por décadas, nossa corrente dizia que estas conquistas seriam perdidas caso não houvesse uma revolução política em Cuba. E, por mais que algumas correntes neguem este fenômeno, a realidade é implacável5.


Lógica formal: o método do oportunismo

Com razão, Nahuel Moreno afirmava que “para um marxista consequente, o saber nessa época não é uma soma de partes, isto é, de diferentes ciências, mas uma combinação em que se deve predominar o aspecto militante, político revolucionário” (2007, p. 22). Neste tópico, Moreno aludia às polêmicas abertas no seio do Socialist Workers Party (SWP), nos Estados Unidos, que tinham como centro a política que seria levada a cabo, como resultado (evidente ou não) da caracterização que se tinha da URSS na década de 1940: defesa da URSS frente aos ataques imperialistas, combinada com uma luta pela derrubada política da burocracia stalinista, ou um anti-defensismo que igualava a URSS à Alemanha nazista e ao imperialismo estadunidense.

Em síntese, a lógica permite as caracterizações políticas que, por sua vez, avalizam as orientações políticas.

Trotsky criticou o formalismo da fração “antidefensista” do SWP, cuja composição pequeno burguesa a impelia a se afastar da dialética. Como observara Trotsky, “o axioma A é igual a A aparece por um lado como o ponto de partida de todo o nosso conhecimento é, por outro, como o ponto de partida de todos os seus erros”. Afinal, a lei da identidade tem duas faces, ou seja, é verdadeira e falsa (NOVACK, 2005).

A lógica formal impede de vermos a contradição nascer no seio de algo. Nas palavras de Novack, a lógica formal “a toda pergunta responde com um sim categórico ou um não incondicional. Entre a verdade e a mentira não há pontos intermediários, não há transições aos escalões que as conectem” (2005, p. 43). Neste caso, a lógica formal impede que compreendamos que um revolucionário tenha mudado e se tornado num conservador que exerceu um papel contrarrevolucionário.

Dizer que Fidel morreu como um revolucionário, e que por isso deve ser celebrado, seria mais ou menos a mesma coisa que dizer que Lula continua sendo um operário e classista; ou ainda que Dilma ainda é a jovem guerrilheira adepta de ações isoladas da classe trabalhadora. Tal raciocínio não é materialista, pois valoriza, em última instância, a aparência das coisas; e não é, como vimos, dialético, pois não percebe que a identidade das coisas pode mudar. Desta forma, Fidel permaneceria, invariavelmente, revolucionário; tal como A sempre permanece sendo A. A lógica formal exige um mundo fantasioso, pois estático.

A verdade é que muitos reformistas e stalinistas fazem essas caracterizações para justificar políticas oportunistas na luta de classes.

Fidel Castro morreu como um profundo conservador que dedicou suas energias para conservar sua burocracia no comando de Cuba, impedindo a formação de uma democracia operária capaz de dirigir o Estado cubano e impulsionar processos revolucionários internacionais. Seu papel conservador exerceu uma dinâmica contrarrevolucionária que garantiu a restauração do capitalismo em Cuba, ainda nos anos de 19906.

Os revolucionários permanecem vivos e a maior parte deles milita debaixo da democracia burguesa de seus respectivos países, tentando superar o maior problema da humanidade, a crise da direção revolucionária. E sobre isso não nos resta dúvida: Fidel Castro fez parte do problema, e não da solução.

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Referências

MORENO, Nahuel. Lógica marxista e ciências modernas. São Paulo: Sundermann, 2007.
NOVACK, George. Introdução à lógica marxista. São Paulo: Sundermann, 2005.
3Dentre eles, o PCB: https://pcb.org.br/portal2/12726.
5Ver: O veredicto da história, de Martin Hernandez.

domingo, 20 de novembro de 2016

Aquilombar para reparar os crimes do capitalismo!




Em 2001, foi realizada, em Durban, África do Sul, a III Conferência Mundial Contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas. Para a ONU e os organizadores do evento, realizar a conferência no país que havia derrotado o apartheid era muito simbólico: queriam dar a impressão de que o imperialismo finalmente estaria disposto a passar a lâmina na própria carne e reparar seus crimes.

Apesar de ser uma ilusão esperar algo assim de um sistema que se construiu sobre o racismo, uma esmagadora maioria das organizações dos movimentos negros não só acreditou nisso como, depois, passou a celebrar a conferência como um marco histórico na luta contra o racismo.

Contudo, na verdade, o que aconteceu foi justamente o contrário: Durban significou uma grande derrota, senão para o movimento negro institucionalizado, com certeza para o proletariado e jovens negros mundo afora.


O capitalismo não quer nem vai reparar seus crimes

A política de reparações históricas já foi uma bandeira defendida por amplos setores do movimento e, inclusive, nações africanas. O princípio geral é que a escravidão, a diáspora forçada, o tráfico negreiro, o neocolonialismo, o saque e a Partilha da África (1884/85) foram crimes de Estado contra a humanidade.

Diante do verdadeiro holocausto promovido por tudo isso, países africanos, por exemplo, exigiam a suspensão do pagamento de suas dívidas. Mundo afora, particularmente na América Latina, onde as veias e feridas abertas pelo processo de colonização continuavam sangrando, movimentos negros reivindicavam reparações sociais, com investimentos na saúde, educação, transporte, moradia etc.  

Foi essa perspectiva que foi esmagada na conferência. Nada disso jamais esteve nos planos das nações europeias e imperialistas. Muitas delas, entendendo que a reivindicação por reparações poderia atingir o coração do sistema, ameaçaram se retirar da conferência caso elas fossem aprovadas. Uma chantagem que teve entre seus principais porta-vozes o Estado de Israel, que também estava sendo cobrado por seus crimes na Palestina.

Infelizmente, a maioria das delegações sucumbiu à pressão, e as reparações foram retiradas das resoluções, inclusive com o lamentável apoio da delegação brasileira, a maior da conferência e responsável pela relatoria do evento.


Reparar os crimes ou reformar o sistema?

A política de reparações sumiu da agenda da maioria dos movimentos, muitos deles embalados pela ideia de que é possível acabar com o racismo com reformas no sistema ou até em parceria com os herdeiros dos traficantes e escravocratas.

A defesa de reparações, no entanto, está voltando para a pauta no Brasil e em outros cantos do mundo. Muitos, como nós do PSTU, defendem que essa luta só pode ser feita com a perspectiva de ruptura com o capitalismo. Não há como fazer justiça aos jovens assassinados pelas polícias de Baltimore e Ferguson nos EUA, na Zona Leste de São Paulo, nas quebradas e comunidades do Rio, nas ruas da Europa, sem se voltar contra as instituições do Estado que os promoveram e os encobertaram.

Não há como acabar com a fome extrema, as doenças e a miséria que corroem a África sem por para correr aqueles que lucram com essa barbárie. Para que não vejamos mais milhares de imigrantes morrerem em navios que em tudo lembram os negreiros escravocratas ou sofrerem com a xenofobia, é preciso cortar as raízes do sistema que provoca os conflitos e os problemas sociais que os expulsam de suas terras. A única forma de fazer justiça por séculos de violência e abusos contra nossas mulheres e crianças é garantindo que as gerações futuras não serão submetidas a esses sofrimentos.


Lutar, aquilombar e reparar
As reparações que queremos e precisamos só podem ser arrancadas no combate frontal ao capitalismo e em unidade com as mulheres, os LGBTs, os povos indígenas e quilombolas; em solidariedade com haitianos, palestinos e todos os povos em luta. E, acima de tudo, lado a lado com os trabalhadores e os movimentos estudantil, popular, sem-terra e demais setores explorados.

Por isso, hoje, 15 anos depois da Conferência de Durban, queremos resgatar a política de reparações históricas, apresentando-a como tema central das Marchas da Periferia. Mas não estaremos nas ruas somente no 20 de novembro defendendo que é preciso aquilombar para reparar.  

O que precisamos é organizar negros e negras onde quer que estejam, aquilombando-os em conselhos populares que articulem e organizem não só a luta contra o racismo, mas também contra reformas antipopulares do governo Temer (PMDB) e todas as demais mazelas do capitalismo. O que precisamos é um quilombo socialista. Um governo a serviço dos trabalhadores e de todos os setores oprimidos e explorados. Só então nossa história poderá ser reparada.

Por Hertz Dias e Julio Condaque, da Secretaria Nacional de Negros e Negras do PSTU


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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

CSP-CONLUTAS lança vídeo explicando os perigos da PEC 55

A Proposta de Emenda Constitucional 55 (antiga 241), também chamada de PEC do Teto de Gastos, tem como objetivo limitar despesas com saúde, educação, assistência social e previdência pelos próximos 20 anos. O mesmo projeto ainda propõe o congelamento do salário mínimo. A aprovação dessa proposta é a prioridade do Governo Temer, que vai pressionar por outros ataques nos próximos meses, como a Reforma da Previdência e Reforma Trabalhista.

Entenda no vídeo porque essa PEC é tão perigosa para os trabalhadores e a população mais pobre.



sábado, 5 de novembro de 2016

A privatização da natureza e a destruição do mundo – sobre Bento Rodrigues, Mariana – MG.


A sobrevivência da espécie humana sempre esteve interligada ao ambiente que ocupou e ocupa ao longo da história. As relações de produção vigentes na sociedade são determinantes para definir a interação entre o homem e a natureza. Cada vez mais assistimos a catástrofes ambientais, que são exemplos da crise ambiental causada pelo modo de produção capitalista que ameaça todos os sistemas vivos encontrados na biosfera. 

No Brasil, tivemos um dos maiores desastres de rejeitos da indústria da mineração que agora completa um ano. Bento Rodrigues, distrito de Mariana, foi destruído, varrido por uma massa de lama com 60 milhões de m³, que levou vidas e um rastro de morte e impactos por 600 km. Esse desastre foi considerado o pior da história segundo um estudo¹ realizado que analisou 129 acidentes com barragens dos 269 conhecidos. Foram analisadas três medidas de magnitude para avaliar os impactos dos acidentes com barragens de dejetos de atividade mineradora. O volume de dejetos, a quilometragem que eles percorreram e o custo com o acidente. Através desses parâmetros foi obtido o resultado de que a catástrofe da barragem de fundão, em Mariana, MG, foi o pior acidente que já aconteceu. 


A busca por lucro atrelada à redução de custos, como gastos com a segurança, significa um ataque direto, massivo e devastador para o meio ambiente e a espécie humana. A Samarco cortou verbas para a segurança das barragens, aumentou seu lucro e, como consequência, a quantidade de dejeto subiu e o sistema de armazenagem dos subprodutos da extração de ferro não aguentou a pressão. É importante compreender a complexidade das atividades de empresas que exploram os recursos naturais, mas fica cada vez mais fácil entender a lógica da produção capitalista que explora não só o trabalhador de diversas maneiras, mas empurra o planeta para uma crise ambiental global. Enquanto os recursos naturais forem propriedade privada, as reais e profundas causas da crise ambiental não terão sido encaradas de forma crítica, pois ela é um reflexo das contradições de classes inerentes ao sistema capitalista.

A barragem de fundão era a menor, esse acidente pode acontecer novamente e as proporções de destruição podem ser muito mais profundas. A Vale é umas das maiores exportadoras do Brasil, e a maior produtora de minério de ferro do mundo². Os trabalhadores e a população devem confiar apenas em suas forças, no sentido de dar uma resposta pela raiz aos desastres causados pela gestão capitalista dos negócios, que destruiu o Rio Doce, destruiu distritos inteiros e que jogou na foz do rio uma quantidade enorme de dejetos minerais que estão acabando com toda a vida das regiões por onde passa a lama contaminada e que mantém populações na extrema precarização. 


A expropriação sem indenização aos antigos donos e a reestatização de mineradoras como a Vale sob controle dos trabalhadores, é uma saída que mostra cada vez mais sua atualidade. Isso por que apenas um planejamento racional a serviço dos interesses da população é que pode acabar com tanto desmando a serviço do lucro. Os capitalistas e seus representantes nos governos devem sair para que a vida das pessoas, as condições de trabalho, a riqueza natural e o meio ambiente sejam fonte de riquezas que garantam boa qualidade de vida e não meros detalhes na gestão de um dos principais ramos da economia do país.






¹Bowker, L. N., Chambers, D. M. “The risk, public liability & economics of tailings storage facility failures”. Disponível em: http://goo.gl/KdPY8w
² http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/3789391/exportacao-minerio-ferro-brasil-bate-recorde-dezembro

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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Nem Gean Loureiro, nem Ângela Amin. É preciso votar nulo!

Gean Loureiro, do PMDB, e Ângela Amin, do PP, se enfrentam agora no segundo turno das eleições em Florianópolis. Nada de bom sairá de um governo municipal liderado por qualquer um desses dois grupos políticos, pois eles vêm se revezando no comando da prefeitura e de quem vem atacando os trabalhadores, a juventude, as mulheres, as negras e negros, e LGBTs da cidade, pelo menos nos últimos 20 anos.

Apesar de "brigarem" muito para vencer estas eleições, tanto Gean quanto Ângela representam o mesmo projeto político. Nesses últimos 20 anos a população de Florianópolis sofreu com um transporte público caro e com poucos horários e linhas de ônibus, enquanto os empresários do transporte ganharam rios de dinheiro. As filas das creches não foram resolvidas e muito menos as dos postos de saúde. O meio-ambiente vem sendo constantemente degradado e ecossistemas estão seriamente ameaçados, devido não somente ao precário saneamento básico, mas também graças ao loteamento sistemático de áreas importantes para a manutenção de espécies da flora e da fauna. Por outro lado, continua-se criminalizando as greves dos trabalhadores da prefeitura, bem como as lutas de movimentos sociais, assim como a pobreza de um modo geral. A Comcap e a Casan sofrem com constante sucateamento e com ameaças de privatização. Continua a inexistir uma política de moradia na cidade; a educação e a discussão sobre gênero foi barrada e a especulação imobiliária prosperou, assim como a corrupção, que contou com a "ajudinha" da câmara dos vereadores, que termina sua legislatura com mais da metade de seus membros envolvidos em escândalos de corrupção.

Nada demonstra mais que essas candidaturas são "mais do mesmo" do que as ligações íntimas que possuem. Gean Loureiro já foi líder do governo Ângela Amin na câmara de vereadores quando esta foi prefeita. Por sua vez, o vice de Ângela Amin, Rodolfo Pinto da Luz, fora vice de Gean Loureiro nas eleições passadas, do mesmo modo que fora secretário, ao lado de Gean, na administração Dário Berger. Já o vice de Gean, o João Batista, foi secretário municipal na gestão de Cesar Souza Jr, que por hora apoia a candidatura de Ângela Amin, e teve como vice João Amin. Não só não existem diferenças de projeto político entre eles, como possuem um mesmo passado.


Eles querem retirar seus direitos

Os partidos dos dois candidatos (PP e PMDB) que hoje estão no segundo turno em Florianópolis estiveram no governo Dilma Roussef (PT e PCdoB) quando este restringiu o acesso dos trabalhadores ao seguro desemprego e ao abono do PIS, juntamente quando o desemprego no país subia e a renda caía. Quando cortaram verbas da saúde e da educação para garantir o pagamento aos banqueiros por meio das dívidas públicas, ou quando privatizaram os campos do pré-sal brasileiro, ou ainda quando aprovaram o novo código florestal, que privilegiou somente o agronegócio.

Agora o PP e o PMDB estão juntos com Temer e Colombo, que dão continuidade ao ajuste fiscal iniciado por Dilma e pelo PT. Ao mesmo tempo em que Ângela Amim e Gean Loureiro prometem resolver todos os problemas da cidade, seus partidos estão no congresso nacional e nos governos Temer e Colombo tentando aprovar o Projeto de Lei 257/2016 e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016, que irão congelar orçamentos da saúde, da educação e das demais áreas sociais nas próximas décadas, inviabilizando qualquer promessa de ampliação dos serviços públicos.

Seus partidos ainda querem aprovar as reformas da previdência e trabalhista, quem irão impor - dentre outras coisas - a idade mínima para homens e mulheres em 65 anos, além de rebaixar  ou retirar outros direitos históricos dos trabalhadores ao procurar ampliar os limites de jornada de trabalho para até 12 horas diárias. Defendem o negociado acima do legislado e querem também a reforma do ensino médio, que visa a retirar da educação dos jovens o ensino da educação física, das artes, da sociologia e da filosofia, além de defenderem o projeto "escola sem partido", que impedirá  a construção de uma educação democrática, plural, laica e transformadora.


Chamar voto nulo e apostar na mobilização

Acreditamos que é hora de fazer uma ampla defesa do voto nulo. Não existe “mal menor” nessas eleições. Esse é o jeito que temos no momento de enfraquecer o futuro governo de Gean ou Ângela que vai usar do apoio conquistado nas urnas para aprofundar o ajuste fiscal, retirar direitos e criminalizar as lutas e a pobreza.

Acreditamos também que é o momento de unificar as lutas da juventude e dos trabalhadores. Devemos apoiar com toda força as ocupações de escolas, institutos e universidades realizadas pela juventude e as greves e mobilizações dos trabalhadores. Devemos construir nos locais de trabalho, de estudo e de moradia, o calendário de luta unificado das centrais sindicais com paralisações e atos previstos para os próximos dias 11 e 25 de novembro. Rumo à construção da greve geral contra todas as medidas que retiram direitos e essa política econômica que só gera desemprego e carestia do custo de vida!

Chamamos o PSOL de Elson Pereira, assim como o PCdoB de Ângela Albino e o PT, que se colocaram como candidaturas alternativas às que passaram para o segundo turno, para que se posicionem claramente pelo voto nulo. Não basta apenas criticar Gean e os Amins; é preciso ter uma posição enfática em defesa do voto nulo.

O PSTU agradece todos os votos que teve nessas eleições. Fizemos uma campanha que enfrentou toda a legislação antidemocrática e o boicote consciente da grande mídia. Não recebemos e não queremos o dinheiro de empresários e empresas. Cada voto dado no PSTU foi um voto dado num programa classista, revolucionário e socialista.

  • Nem Gean, nem os amins. Agora é voto nulo!
  • Unificar as lutas e construir a greve geral para defender os empregos e os direitos!
  • Fora Temer! Fora todos eles! Por eleições gerais com regras verdadeiramente democráticas!
  • Por um governo socialista dos trabalhadores, formados por conselhos populares!

Assinam a nota:

Gabriela Santetti - ex-candidata à prefeitura de Florianópolis e presidente municipal do PSTU;
José Augusto Alvarenga - ex-candidato a vice prefeito pelo PSTU.

Diretório municipal do PSTU.

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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Câmara aprova projeto que garante 100% do pré-sal às multinacionais

Entrega do petróleo faz parte do pacote de ataques do governo Temer. É preciso uma Greve Geral!

Petroleiros protestam contra entrega do pré-sal. Fonte: Agência Brasil
A Câmara aprovou nesta quarta, 5, o Projeto de Lei 4567/16 do então senador e hoje ministro José Serra (PSDB-SP) que desobriga a Petrobrás de participar de no mínimo 30% da exploração do pré-sal. O PL já havia sido aprovado no Senado no início do ano a partir de um acordo da então presidente Dilma e Renan Calheiros e, após a votação de emendas, segue para a sanção de Temer.

O projeto de Serra faz com que a Petrobrás deixe de ser a operadora dos blocos do pré-sal e abre caminho para a entrada de mais companhias internacionais. A partir de agora, a companhia escolhe se participa ou não da exploração do pré-sal nos campos leiloados pela Agência Nacional do Petróleo. É um verdadeiro ataque à soberania e um passo a mais na privatização da estatal e do petróleo nacional.


De FHC a Temer: os caminhos da privatização

O processo de privatização do petróleo brasileiro, cujo marco mais recente foi a venda do megacampo de Libra em 2013, vem desde o governo FHC. O tucano acabou com o monopólio da exploração pela Petrobrás em 1997 e, dois anos depois, deu o pontapé inicial para os leilões que entregariam nossas reservas às petroleiras estrangeiras.

O governo Lula deu sequência aos leilões até mesmo quando, em 2007, a Petrobrás fez a descoberta do pré-sal. Em 2010, mudou o regime de exploração do petróleo, de concessão estabelecido por FHC para o regime de partilha. Apesar de parecer um modelo com maior intervenção do Estado, representa ainda a continuidade da entrega do petróleo às companhias estrangeiras.

Ato contra venda do Campo de Libra em 2013 é reprimido pela Força Nacional
Em outubro de 2013, Dilma entregou o campo de Libra, o maior campo de petróleo já descoberto no país. Paralelamente, deu sequência ao processo de privatização da empresa, avançando a terceirização, a venda de ativos e a desnacionalização. O plano de desinvestimento (que estabelece a venda de R$ 15 bilhões da estatal em ativos) e a venda da BR Distribuidora foi iniciado por Dilma quando Ademir Bendine era presidente e segue agora com Temer e o novo presidente da estatal, Pedro Parente.

O escândalo da Lava Jato expôs um megaesquema de corrupção e desvio a partir da Petrobrás envolvendo praticamente todos os grandes partidos, e mostrou como a aproximação e as relações espúrias da estatal com as empreiteiras e empresas privadas são portas para a corrupção e dilapidação do patrimônio público. A oposição burguesa e seus partidos como o PSDB, porém, que também estão envolvidos nisso até o pescoço, recorrem ao caso para aprofundar a privatização.

Greve Geral! Não à entrega do petróleo! Petrobrás 100% estatal!
A aprovação do PL que entrega o pré-sal às empresas estrangeiras é um duro golpe contra a soberania do país, à Petrobrás, aos petroleiros e à população em geral. É mais um crime contra os trabalhadores, assim como está sendo a PEC 241 que congela os gastos públicos, a reforma da Previdência e Trabalhista.

É preciso uma Greve Geral que unifique as lutas que ocorrem neste momento e pare o país contra esses ataques. Uma tarefa de primeira ordem para as centrais sindicais, sindicatos e demais organizações da classe trabalhadora.

Só com luta e mobilização podemos impedir e reverter a entrega do petróleo e a privatização da Petrobrás, reestatizando a empresa e a colocando sob o controle dos trabalhadores. Só assim teremos uma empresa estatal que funcione para atender os interesses dos trabalhadores e da grande maioria da população, e não para o lucro de meia dúzia de acionistas e petroleiras estrangeiras, e os partidos corruptos do Congresso Nacional.

sábado, 1 de outubro de 2016

Por que Votar PSTU 16?



A política hoje está um total descrédito. Temos toda a razão em desconfiar de tudo e de todos! Mas o PSTU é um partido diferente. Não está na Lava Jato, na Ave de Rapina, na Moeda Verde ou em qualquer outro esquema de corrupção. Está nas greves, nas mobilizações e nas lutas da classe trabalhadora, da juventude e dos setores oprimidos. Isso porque quer construir uma Florianópolis para a classe trabalhadora, sem exploração e nem opressão.
Candidaturas como a de Gean Loureiro (Coligação com PMDB e PSDB), Ângela Amin (coligação com PSD e PP), Murilo Flores (PSB) e Ângela Albino (coligação com PCdoB e PT) representam aqueles que governaram pelo menos nos últimos 15 anos o país, o estado ou o município e que se envolveram em inúmeros casos de corrupção, atacando os direitos dos trabalhadores e da juventude.
Diante do fracasso que representaram as experiências dos governos do PT tiramos conclusões bem diferentes do PSOL, de Élson Pereira, sobre que caminhos trilhar. Nessas eleições municipais o PSOL de Élson se aliou ao PV de Sarney Filho (que compõe o governo Michel Temer) e à Rede, que foi fundada por Marina Silva e que contou com todo apoio dos donos do Banco Itaú, além de se aliar ao PSDB de Aécio Neves no segundo turno das últimas eleições para presidente. Repetem assim o mesmo erro do PT e do PCdoB de entrar no vale-tudo eleitoral e de se aliarem a partidos comprometidos com grandes empresários e figurões da política nacional, o que sempre termina em grandes decepções para os trabalhadores e para a juventude.
Queremos também dialogar com aqueles que vão guiar seu voto pelas pesquisas. Votar útil nessas eleições é votar em candidatos e candidatas que vão ser um ponto de apoio importante para a luta dos trabalhadores e que vão denunciar todas as falcatruas dos poderosos. É votar em quem você não vai se arrepender. Todos os candidatos do PSTU são trabalhadores, trabalhadoras e jovens que estão nas lutas por melhores salários, por moradia, por serviços públicos de qualidade e por vida digna para todos. Defendemos a luta pelo fim das opressões que sofrem as mulheres, as negras e negros e LGBTs. 
Nesse sentido, somos a única candidatura que pode dar essa luta de forma consequente porque somos a única candidatura que não tem partidos envolvidos com corrupção e nem está comprometida com os governos que atacam nossa classe. Nossa campanha não é financiada por empresários e empresas, somente por trabalhadores. Somos contra o privilégio dos políticos. Defendemos a prisão e confisco dos bens dos corruptos e corruptores.
Somos a candidatura que defende a criação de um Conselho Popular com representações eleitas nos locais de trabalho, estudo e moradia para aplicarmos um plano emergencial para a classe trabalhadora parar de pagar por essa crise e para podermos enfrentar a Câmara de Vereadores corrupta e a serviço dos grandes empresários. Isso porque nenhum problema social que enfrentamos hoje será resolvida sem a organização e mobilização independente dos trabalhadores e do povo pobre.
Somos a única candidatura que não apoiou Dilma e que agora não tem partidos que apoiam Temer. Defendemos fora todos eles. Propomos eleições gerais já no país com regras mais democráticas para que o povo possa trocar tudo. Acreditamos que é necessário construir uma greve geral para defender todos os direitos e conquistas que neste momento estão ameaçados com as reformas da previdência e trabalhista e com os projetos de lei e de emenda à Constituição que querem congelar os gastos com saúde e educação públicas e precarizar ainda mais os serviços públicos.
Importante esclarecer porque o PSTU não esteve nos debates da TV e Rádio, assim como teve uma cobertura menor da campanha pela grande mídia em relação a outros candidatos e candidatas. Isso porque as grandes redes de TV o boicotaram, da mesma forma que boicota e distorce as lutas e greves dos trabalhadores e da juventude. Fazem isso mesmo sem haver qualquer impedimento legal que exclua o PSTU dos debates ou que impeça igualdade de condições. Não quiseram o PSTU no debate porque não querem dar espaço para uma candidatura que não tem "rabo preso" com os empresários.
Enquanto outros mudaram de lado, você sabe que o PSTU continua firme defendendo as reivindicações dos trabalhadores e da juventude por dias melhores. Contra burguês, lute e vote 16!




Gabriela Santetti – Prefeita – 16
José Alvarenga – Vice
Gilmar Salgado - Vereador - 16.123