AQUILOMBAR PARA REPARAR!

Especial Raça e Classe 2016

Mulheres negras não param de lutar

A opressão e a superexploração das mulheres e de negros faz da luta pela vida nossa força motivadora

Uma onda negra varre o país

Por Hertz Dias, da Secretaria Nacional de Negros e Negras do PSTU

quarta-feira, 22 de março de 2017

Contra o Método da Calúnia de Militantes do Grupo Prestista/Intersindical



As manifestações do último 08 e 15 de março mostraram a disposição de luta da classe trabalhadora para não pagar a conta da crise. Os governos de Temer e de Colombo têm uma agenda de retirada de direitos muito profunda que hoje se expressa centralmente nas reformas da previdência e trabalhista. Caso aprovadas representarão um aumento no nível de exploração do povo trabalhador para que as grandes empresas e bancos (nacionais e estrangeiros) não deixem de lucrar cada vez mais e mais.

Na assembleia das professoras e dos professores da rede estadual de ensino, representados pelo SINTE/SC, ocorrida no último dia 15 de março, foi unânime a manifestação contrária a essas reformas patrocinadas pelos governos de plantão. No entanto, a assembleia majoritariamente votou contra iniciar a greve nacional do magistério a partir do dia 15 de março. Nova assembleia estadual para decidir o tema foi votada para acontecer em 28 de março e decidir sobre a greve.

O PSTU defendeu a greve na assembleia estadual nas intervenções que seus militantes tiveram, assim como votou conjuntamente a favor da greve. No entanto, nós não consideramos como traidores da categoria e da classe trabalhadora as professoras e os professores que votaram contra o início imediato da greve. É nítido na conversa com as professoras e os professores que sua motivação central para tomarem tal decisão é a imensa desconfiança de que terão mais uma greve traída pela direção do SINTE/SC, composta pela CUT e pelo PT e também pelo PCdoB e CTB. Esta foi a experiência dessa categoria nas greves de 2011, de 2012 e de 2015 com a direção cutista de seu sindicato estadual.

O PSTU vem aqui lamentar o método da calúnia empregado por militantes do grupo político Polo Comunista Luis Carlos Prestes, que dirige a Intersindical Central em Santa Catarina e a organização "Sinte pela Base", afirmando nas redes sociais que o PSTU teria defendido contra a greve. Para nós isso é inaceitável. Não só porque é uma mentira descarada contra quem militou ativamente pela construção da greve, mas porque o método da calúnia é o método dos provocadores a serviço da burguesia, da polícia ou de burocracias para causar divisão e confusão dentro das fileiras da classe trabalhadora e levá-las à derrotas. É o método daqueles que não confiam na mobilização e organização da classe trabalhadora.

Esse método é especialmente nefasto, porque ao invés de estarmos todos concentrados neste momento na construção da greve nacional do magistério e da greve geral da classe trabalhadora para derrotar todas essas reformas e botar pra fora Temer e Colombo, temos que dispersar forças respondendo calúnias.

Nosso partido e sua militância continuará firme na defesa da construção da mobilização nacional do magistério e geral da classe trabalhadora . Vamos incentivar a unidade da categoria para a luta e sua organização de base para que os destinos das suas mobilizações estejam em suas mãos.

PSTU - 22/03/2017 

terça-feira, 14 de março de 2017

15 de março Será um Dia Nacional de Paralisações e Lutas contra as reformas da Previdência e Trabalhista




Nesta quarta-feira (15) trabalhadores (as) de todo país vão parar. Será um Dia Nacional de Paralisações e Lutas contra a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 287, chamada de reforma da Previdência, e também contra a reforma trabalhista.


Vamos denunciar as reformas da Previdência e trabalhista propostas pelo governo Temer e dizermos em alto e bom som que não aceitaremos esses ataques aos nossos direitos.


Os professores das redes estaduais iniciarão amanhã no país todo a Greve Nacional da Educação que enfrenta além da retirada de direitos trabalhistas e previdenciários, também as reformas anti-educacionais. A Lei da Mordaça, representada pelos projetos ideologicamente identificados com a política da Escola Sem Partido, também caminha na mesma direção. Assim como representam duros ataques à educação a recém aprovada reforma do ensino médio promovida pelo governo Temer ou a política do governador Raimundo Colombo de deixar os trabalhadores da educação sem reajuste salarial. 

Os ataques contra os direitos são muitos. Não faltam motivos para irmos à luta. Na grande Florianópolis além dos professores da rede estadual, também se mobilizam professores do ensino técnico e superior, motoristas e cobradores, servidores no município de Florianópolis, trabalhadores da saúde no estado, entre outras categorias.

Esse dia de lutas precisa ser uma preparação para a greve geral. A CSP Conlutas estará na linha de frente da construção dessas mobilizações. É preciso também exigir que a CUT, a Força Sindical e demais centrais chamem uma greve geral já para barrar todos esses ataques. 

Haverá um ato unificado em Florianópolis neste dia 15 de março a partir das 16h, organizado pelo fórum de lutas em defesa dos direitos. Saiba mais do ato no link abaixo e confirme presença: www.facebook.com/events/1274935515875763/?ti=cl


O PSTU defende: 

-Greve Geral para botar abaixo a reforma da previdência e o desemprego! 

-Fora Temer e Todos os corruptos!! Prisão de Todos os corruptos e corruptores! 

-Não pagamento da dívida aos banqueiros para garantir mais investimentos em saúde, educação, moradia, combate à violência contra as mulheres e a juventude negra e para geração de empregos!

-Por um governo socialista dos trabalhadores formado por conselhos populares! 

PSTU Florianópolis

quarta-feira, 8 de março de 2017

Depoimento de um Trabalhador sobre a Greve no Município de Florianópolis


Quero dizer que estou muito feliz por fazer parte desta vitória dos trabelhadores municipais de Floripa. Trabalhei durante minhas férias para mobilizar os trabalhadores, desde a primeira assembleia. Estou cansado mas feliz. Trinta e sete dias de muita produção, muita leitura, todos querendo saber sobre tudo.

Essa vitória somente foi possível porque os trabalhadores acreditaram nela. ORGANIZARAM a greve por local de trabalho, visitas aos locais de trabalho, muitos atos todos os dias, espalhados pela ilha toda, convencimento dos companheiros que ainda tinham dificuldade...um a um foram conquistados para entrar na greve. Os atos serviam para convencer a população ficar do nosso lado porque o que estava em jogo não era somente os direitos dos trabalhadores, mas a qualidade do serviço público. Em vários momentos a direção quis interromper a greve. Ex. após a derrota na câmara de vereadores dia 24/01, no dia seguinte a direção defendeu, voltar ao trabalho e esperar que o magistério no dia 06/03 também entrasse em greve, ledo engano, a assembleia passou por cima da direção e o magistério veio depois. No dia da votação na câmara de vereadores a direção do sindicato criou uma falsa expectativa, dizendo que era possível derrotar o projeto na câmara, ledo engano, a câmara mostrou que sustenta os interesses dos capitalistas locais e votou no projeto do Gean Lorota. A categoria reagiu, levou gás lacrimogênio, bala de borracha, bomba de efeito moral, mas sabe qual foi o efeito? Feitiço virou contra feiticeiro e a moral dos trabalhadores cresceu. 

Veio os ataques da da justiça burguesa dizendo que iria prender a direção do sindicato e colocar processo em cada servidor, se pensavam que isso iria amedrontar, ledo engano, desafiamos a justiça que sempre está do lado dos ricos e tiveram que retroceder. Apesar de alguns equívocos, estamos todos de parabéns...sigamos o exemplo de que não há limites para a classe trabalhadora quando ela quer. Muitas lideranças novas surgiram nesta luta, temos que ajudá-los a crescer como bons revolucionários combativos.

A PALAVRA DE ORDEM QUE ECOOU DE NORTE A SUL DA ILHA FOI...FORA GEAN..E AVE DE RAPINA NOS VEREADORES. E O MEDO TOMOU CONTA DA CAMARILHA.

ESSA GREVE DERROTOU O LEGISLATIVO, O EXECUTIVO E O JUDICIÁRIO DE FLORIPA...TRIPÉ DE SUSTENTAÇÃO DA ESTRUTURA BURGUESA LOCAL E MOSTROU QUE A ORGANIZAÇÃO E LUTA DOS TRABALHADORES PODE DERROTAR AS REFORMAS DA PREVIDÊNCIA E TRABALHISTA DE TEMER E SEUS CAPACHOS NA CÂMARA E SENADO. VAMOS A GREVE GERAL. FORA TEMER, FORA GEAN E NENHUM DIREITO A MENOS.



Por Roque Pegoraro, militante do PSTU e um dos grevistas do movimento dos servidores municipais. Depoimento retirado da página de facebook pessoal do militante.

terça-feira, 7 de março de 2017

8 de Março: Apoio à greve das mulheres em todo o mundo!



Neste 8 de março, as mulheres do mundo escreverão outra página importante na história da luta por seus direitos, em uma ação sem precedentes em mais de 20 países. Neste dia internacional da mulher trabalhadora, está sendo convocada uma greve e nós tomaremos as ruas.
Nos últimos anos, estamos vendo como, dia a dia, as mulheres se põem à frente da resistência. As trabalhadoras e pobres nos ensinam como enfrentar os planos do imperialismo, como resistir às invasões (Síria, Palestina, Curdas), como lutar pela educação (México), como defender o que já foi conquistado (Polônia), como reivindicar a igualdade salarial (Islândia), como lutar pelas nossas vidas (Índia, Argentina) e um longo etcétera.
Há um ano e meio, em 3 de junho de 2015, sob a palavra de ordem “Ni una menos!” (Nem uma a menos!), um grupo de jornalistas argentinas convocaram uma mobilização contra os feminicídios e a violência contra a mulher. Naquele dia, as ruas de Buenos Aires ficaram pequenas diante da maior mobilização pelos direitos das mulheres que esse país havia visto até então. A mobilização impactou o mundo e a palavra de ordem passou a correr outros países. Enquanto enfrentavam a repressão, as mexicanas utilizaram este mesmo grito e acrescentaram: “Vivas nos queremos!”. E assim começou a rodar pelo planeta a luta feminina, acompanhada por milhares de trabalhadores.
Em 2016, muitas mulheres voltaram a sair às ruas, houve grandes mobilizações em muitos países, porém, a greve que as mulheres polonesas fizeram pelo direito ao aborto, assim como a greve de outubro na Argentina, marcaram uma nova perspectiva. O grande impulso que faltava foi dado pelas mulheres norte-americanas, que, em centenas de milhares, saíram para enfrentar Donald Trump no primeiro dia do seu mandato.
Diferentemente do que é dito por muitos grupos feministas no mundo, isso não tem nada a ver com um empoderamento individual das mulheres ou com a defesa de nossa “feminilidade”. Isso é assim porque a crise do capitalismo é cada vez maior, os planos de ajuste do imperialismo e dos governos servis são cada dia mais duros e atingem com mais força as trabalhadoras e pobres, que não têm outra alternativa a não ser lutar contra eles. E é assim porque esta situação se combina com a violência machista, que nos tira até a vida, provocando uma onda de repúdio e indignação em todo o mundo.
Nós, da LIT-QI, participamos com muito entusiasmo de cada uma dessas ações, compartilhamos as ruas com milhares de trabalhadoras e trabalhadores, participamos de reuniões que organizaram as jornadas de 25 de novembro, e ficamos felizes que figuras de peso internacional como Angela Davis e Nancy Fraser deem força à convocatória. Enche-nos de alegria que se proponha a paralisação de atividades contra a violência machista, que se cruzem as fronteiras, que o 8 de março seja verdadeiramente um dia internacional de luta, que em muitos rincões do planeta se esteja falando de nossas necessidades.
No entanto, este entusiasmo não pode nos deslumbrar e acreditamos que, apesar de ser um primeiro passo, ainda devemos realizar muitos debates para evitar que a luta pela nossa emancipação pare no meio do caminho. Estamos convencidas de que sozinhas não chegaremos muito longe. O passo à frente que foi dado pelas mulheres na luta deve ser acompanhado pela batalha que todos os trabalhadores e povos oprimidos devem travar contra o imperialismo. Por trás dos discursos machistas, homofóbicos, racistas e anti-imigrantes de Trump, esconde-se todo um plano de continuar descarregando o peso da crise econômica mundial sobre as costas dos trabalhadores, dos jovens sem trabalho e, principalmente, de seus setores mais oprimidos. Tudo isso para dividir a classe trabalhadora para que os ricos recuperem seus lucros fabulosos. Trump golpeia primeiro os mais vulneráveis, mas depois virá contra os direitos dos trabalhadores brancos.
Os planos de ajuste e austeridade são contra toda a classe trabalhadora, afetando com muito mais força as mulheres, os imigrantes, os negros e os LGBTs. Nós somos as primeiras a sentir o aumento do custo de vida, porque não podemos dar comida aos nossos filhos, não temos remédios e vivemos em bairros desprovidos de serviços públicos. Os cortes de verbas e a falta de água potável em muitos países da África, no Haiti e nas zonas mais pobres do mundo provocam um sofrimento terrível. Muitas mulheres na Índia ficam doentes ou são violentadas nas zonas rurais porque não têm um banheiro em casa e há poucos banheiros públicos. Os orçamentos públicos para combater a violência machista, onde existem, são escassos e tendem a desaparecer. Estamos à mercê de nós mesmas, porque os governos, ao invés de aumentar os impostos dos ricos e expropriar os bens roubados pelos corruptos, aumentam os impostos e as tarifas dos trabalhadores e dos pobres.
Vamos todos à greve e às ruas
As reuniões de preparação do 8 de março na Argentina se pronunciaram de maneira unânime pela exigência às centrais sindicais para que convoquem à greve nesse dia. Da mesma forma, em outros países, movimentos de mulheres ou organizações sindicais – como na Itália o Non una di meno e a Frente de Luta No Austerity – chamam os sindicatos de base e as demais organizações a parar pelas mulheres no dia 8 de março. No Brasil, o Movimento Mulheres em Luta (MML), ligado à CSP-Conlutas, não só aderiu ao movimento pela greve internacional, como também fez um chamado para que outros setores se somem, como parte da preparação da greve geral que a classe trabalhadora necessita para derrotar o governo Temer e seus projetos de contrarreformas sociais e trabalhistas. O sindicato dos professores do estado de São Paulo (Apeoesp) convocou a categoria, majoritariamente feminina, a parar nesse dia.
Devemos tomar esses primeiros exemplos e avançar. Vamos realizar reuniões e assembleias em cada lugar de trabalho e estudo para debater e decidir nossa participação na greve mundial. Vamos estender as mãos aos nossos companheiros de classe para que parem e saiam às ruas conosco, para que escutem nossas demandas, que também são suas, para que gritem ao nosso lado para que as direções sindicais as assumam, para que comecemos a combater o machismo em nossas fileiras, para que nossas reivindicações se somem aos eixos de luta em cada greve. Vamos fazer, neste dia, milhares de protestos nas portas das fábricas, nas praças e chamar mobilizações unitárias.
Nós começamos, nos colocamos à frente e saímos às ruas por nossos direitos, mas queremos que todos os trabalhadores nos acompanhem, porque nossa luta é a de todos os explorados. Por isso, neste 8 de março, vamos todos parar e lutar com e pelas mulheres, assim como nós paramos contra as demissões, contra as leis que cortam nossas aposentadorias, pela educação pública para nossos filhos, os filhos dos trabalhadores. Nós, homens e mulheres, que podemos parar a produção somos a classe trabalhadora e, certamente, teremos que enfrentar uma minoria de mulheres, como Betsy DeVos, secretária de Educação do governo Trump, uma milionária, dona da multinacional Amway e inimiga da educação pública e das trabalhadoras. A juventude estudantil também pode parar ou mobilizar as universidades e as escolas e se unir às ações que sejam organizadas em cada país no que pode ser um grande dia. Um grande dia para as mulheres, um grande dia de luta de todos os oprimidos e explorados. Vamos dizer aos donos do mundo que estamos em pé de luta.
Neste 8 de março, nós, mulheres trabalhadoras, retomaremos nossa tradição de luta, essa tradição que fez com que este dia fosse declarado como o dia internacional da mulher desde o início do século XX e que teve um impulso extraordinário com o triunfo da revolução operária na Rússia de 1917. Porque foram as operárias russas que, em fevereiro daquele ano, no dia da mulher, começaram a revolução social mais impressionante da história. As operárias e os operários, os camponeses pobres e os soldados de base entenderam que, para que a luta contra a fome, a violência, a exploração impiedosa e a opressão não parasse na metade do caminho, era necessário tomar o destino de toda a sociedade em suas próprias mãos e começar a construir uma sociedade nova, uma sociedade socialista. E queremos repetir essa história em todo o mundo.
Basta de feminicídios e de violência machista!
Não aos cortes e por plenos direitos para as mulheres!
Salário igual para trabalho igual!
Defesa dos direitos maternos e descriminalização do aborto!
Contra o machismo e toda forma de opressão!
Fora Trump e o imperialismo!
Pelo fim do capitalismo, viva o socialismo!
Secretaria Internacional de Mulheres – Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional
Tradução: Érika Andreassy


terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Greve termina com vitória em Florianópolis




Prefeito sofre grande derrota política em seus planos de ajuste fiscal
A greve dos trabalhadores do serviço público municipal de Florianópolis (SC) durou 38 dias e terminou vitoriosa, impondo uma grande derrota ao prefeito Gean Loureiro (PMDB). Os trabalhadores conseguiram fazer com que o prefeito voltasse atrás na revogação do plano de carreira da maioria da categoria, na criação da previdência complementar e em vários direitos retirados dos professores. Todas essas medidas já haviam sido aprovadas pelos vereadores e assinadas pelo prefeito. Essa grande vitória mostra que a classe trabalhadora pode derrotar o ajuste fiscal da burguesia.
A força e a união na greve massiva e o apoio da população, especialmente das comunidades carentes, conseguiram derrotar o prefeito mentiroso, o Poder Judiciário que disse que a greve era ilegal, Câmara de Vereadores da operação Ave de Rapina e humilhar a alta burguesia da cidade que apresentou um manifesto com 34 entidades patronais, como Fiesc, Fecomercio, Fórum do Setor Imobiliário, Associação Comercial e Industrial de Florianópolis, que apoiaram Gean Loureiro.
A greve terminou, mas a luta continua
Apesar dessa vitória importante, alguns direitos foram perdidos ou retalhados e alguns aspectos do pacote de maldades continuam, como a fusão dos fundos de previdência e as Parcerias Público-Privadas (PPP) que precisarão ser combatidas pelos trabalhadores para manter seus direitos, reaver o que foi perdido e garantir um serviço público de qualidade e gratuito. Além disso, a categoria se mantém em estado de greve até a Câmara de Vereadores tentar aprovar novas leis sem emendas que retirem direitos.
A assembleia que votou o fim da greve votou também a adesão à paralisação nacional do dia 15 de março, Dia Nacional de Paralisações e Mobilizações, por entender que a luta contra a retirada de direitos em Florianópolis está combinada com a luta nacional. A política de austeridade em Santa Catarina é a mesma que acontece em todo o país e só tem um objetivo: retirar direitos e arrochar salários para que a classe trabalhadora pague a conta de uma crise que os patrões e governos criaram.
Por isso, o dia 15 de março é importante. Mas ainda é muito pouco. É preciso unificar todas as lutas no país e construir uma grande greve geral contra as retiradas de direitos e contra as reformas trabalhista e da Previdência.
Entenda a greveO prefeito começou o ano culpando os servidores pela crise nas contas da prefeitura e, por isso, atrasou salários e aprovou, a toque de caixa, o pacote de maldades em janeiro. Os trabalhadores do serviço público municipal reagiram imediatamente colando cartazes nos postos de saúde e UPAs e conversando com a população. No dia 17 de janeiro, entraram em greve, mesmo com parte importante da categoria em férias, o magistério.
No dia 24 de janeiro, a Câmara de Vereadores aprovou a revogação do plano de carreira. A sessão foi marcada pela repressão policial e pela resistência dos trabalhadores com uma chuva de cadeiras contra a polícia. O prefeito achou que a greve ia acabar, mas a assembleia seguinte foi ainda maior que as anteriores.
No dia 26, os servidores decidiram continuar a greve com o aviso ao magistério em férias para que, no dia 7 de fevereiro, entrasse imediatamente em greve. No dia 7, aconteceu a maior assembleia da história da categoria, e foi feito um ato com 9 mil pessoas, parando as principais ruas da cidade.
Na primeira semana de fevereiro, o Poder Judiciário considerou a greve ilegal por não manter 50% dos postos de saúde e 100% das creches funcionando. A prefeitura pediu a prisão dos diretores do Sintrasem.
Nas semanas seguintes, a greve se manteve com mais de 90% de adesão, e as reuniões dos postos de saúde e creches com a comunidade se transformaram em atos diários em diferentes bairros da cidade. As várias ameaças do prefeito, como prisão, desconto em folha e abertura de processo administrativo contra grevistas, não se concretizaram, em razão da força da greve e do apoio da população.
No dia 15 de fevereiro, 34 entidades patronais da burguesia lançaram um manifesto aberto em apoio ao prefeito. No dia 22, aconteceu a audiência de conciliação sob um forte ato da categoria, em que o prefeito voltou atrás em pontos importantes. O fim da greve foi votado no dia 23 de fevereiro.
Por Diogo Leal, de Florianópolis (SC)

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Sobre a greve dos policiais militares no Espírito Santo


Por: Wagner Damasceno

Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO


Estamos vivendo um aprofundamento da crise capitalista no Brasil. Há uma combinação de crise política, crise econômica, e insatisfação das massas.

A greve de policiais militares no Espírito Santo, e que ameaça contagiar as polícias do Rio de Janeiro, faz parte do aprofundamento desta crise.

A greve dos PMs no Espírito Santo iniciou contornando o espúrio código militar, que proíbe greves e organização sindical, tendo à testa familiares e amigos dos policiais, mas sobretudo suas esposas e mães.

Em primeiro lugar, é fundamental prestar solidariedade a esse movimento paredista e incentivar o seu desenvolvimento. E, embora seja um tanto óbvio, o óbvio às vezes precisa ser dito: a crise capitalista demonstra que, em determinado ponto, a burguesia e seus governos se tornam incapazes de manter o volumoso aparelho repressivo que ela mesmo criou, ao longo da história, para se proteger dos trabalhadores.

Em segundo lugar, é preciso criar pontes para a unidade na luta entre os PMs e os demais trabalhadores! Exigindo o compromisso na luta unificada para a construção de uma Greve Geral nos estados, como única maneira de derrotar os planos dos governos e derrubá-los e o fim da repressão aos trabalhadores e ao povo negro e pobre. Nesse sentido, a CSP-Conlutas declarou apoio ao movimento e convocou à unidade com as demais categorias de servidores em luta1.

Em terceiro lugar, a solidariedade aos policiais militares e seus familiares deve vir combinada com a intensa agitação, e paciente explicação, das consignas da desmilitarização das PMs e da descriminalização das drogas.

No entanto, isso está longe de ser um consenso entre a chamada “esquerda”. E como tem ocorrido, especialmente depois de Junho de 2013, o aprofundamento da luta de classes no país, amplia as diferenças entre as organizações e ativistas de esquerda. Não são poucos os comentaristas da luta de classes que dizem que são contrários à greve dos PMs utilizando, para isso, dos argumentos mais arrogantes e auto-centrados: “só apóio greves de soldados; da PM, não”, ou a mais indecente: “só apóio a greve dos PMs se eles estiverem reivindicando a desmilitarização”.

Ou seja, só apoiam os policiais se eles já estiverem brandindo a consigna democrática da desmilitarização; e misturam no mesmo saco a instituição Polícia Militar com os policiais militares. Isto, além de ser profundamente anti-marxista, é de um oportunismo sem fim. Para esses acomodados é preciso perguntar: por um acaso é mais fácil agitar a consigna da desmilitarização da Polícia Militar em tempo de calmaria para a burguesia nos quartéis? Ou é mais fácil fazer isso quando os policias começam a romper a hierarquia e rasgar o código militar entrando em greve?

O argumento de não se solidarizar e não disputar a consciência dos policias porque eles não têm como exigência máxima a desmilitarização é um crime político! Marx na Crítica ao programa de Gotha dizia que “cada passo do movimento real é mais importante do que uma dúzia de programas”. Todo marxista sério deveria saber isso

Vejamos o que diz uma das mulheres que lideram o movimento no Espírito Santo, quando perguntada sobre o que achava da desmilitarização das PMs2:
"Olha, no momento, a gente nem tem o que falar sobre isso, porque não é o objetivo da manifestação. Então, acho que isso não cabe a nós, esposas, que somos leigas nesse assunto falar algo a respeito disso. Então, eu acho que essa parte nós deixamos para as pessoas competentes resolverem, né…”

Um comentarista da luta de classes apressadamente diria que essa é a demonstração cabal de que se trata de um movimento reacionário, posto que renuncia à uma pauta democrática tão cara à classe trabalhadora e aos setores oprimidos. No entanto, vejamos o que essa mesma mulher diz, logo em seguida, quando perguntada sobre se achava que havia uma relação entre o regime militar e as prisões e maus tratos na corporação:
Sim. Sim, porque o policial ele é punido em três esferas, administrativa, militar e civilmente. A pessoa, o cidadão comum, se ele responde a um processo, ele responde uma vez só, o PM responde pelo mesmo crime três veze. São discussões muito complexas que nesse momento não cabe a nós”.

Quando perguntada sobre a repressão aos movimentos sociais, ela responde: “o militarismo os impede de não acatar as ordens”. Isto é, vê no regime militar um problema. Mas, sigamos mais um pouco para que não reste dúvida da estupidez dos sicofantas da burguesia.

Ao ser perguntada sobre como viam e como vêem os movimentos sociais, essa mesma mulher assim nos diz:
Bem, acho que a gente vê hoje os movimentos sociais como uma forma de estar indo contras as políticas impostas pelo governo. Eu acho que toda classe que for à porta do governo reivindicar tem sim o direito de diálogo, de reivindicar sim. Acho que a partir desse movimento, as pessoas vão se unir mais em prol das outras categorias. A gente vê isso, que a população não quer mais se calar diante das injustiças que o governo vem cometendo. Ele impõe coisas que não deveria”.

Por fim, ao ser perguntada se a visão sobre o governo havia mudado, ela é categórica: “Com certeza!!! (em coro) Porque, nossa, ele é ditador, ele fala que nós somos sequestradoras, mas ele que é um psicopata”.

Ou seja, embora ela diga que a desmilitarização da PM não é o objetivo do movimento, ela revela o repúdio ao regime militar, e o apoio às principais demandas que dão substância à desmilitarização da PM: fim do código militar, liberdade de organização sindical etc.

Qual é a novidade desta aparente contradição?! Nenhuma. Afinal, no capitalismo, a consciência e a ação não estão conciliadas. Lutar apenas contra as “ilusões da consciência” era a finalidade dos jovens hegelianos; não é a finalidade dos marxistas revolucionários. Queremos pôr a classe em movimento e disputar a sua consciência no movimento real da luta contra a exploração e as opressões!

A crise capitalista tem produzido uma profunda polarização social no Brasil e essa polarização se expressa também no aparato repressivo à medida que os governos rebaixam sua condição de vida e rompem com o pagamento de seus parcos salários.

Por isso, uma greve entre os policiais militares abala profundamente a segurança da burguesia justamente no momento em que ela precisa atacar mais a classe trabalhadora para preservar os seus lucros.

Consciente disso, na cidade de Macaé-RJ, ao saber que as esposas e familiares dos PMs se dirigiram ao batalhão da cidade para paralisarem as atividades dos policiais, o Prefeito do PMDB decidiu, na manhã de sexta-feira (10/02), pagar o 13º salário atrasado dos PMs para que eles não aderissem à greve!

Macaé é uma das cidades mais devastadas pela aliança do PT-PMDB, nos últimos anos. Nesta cidade estão algumas das maiores empresas que atuam no país, como a Petrobras, Odebrecht, UTC, Andrade Gutierrez, Schlumberger, Baker Hugues e Halliburton. Uma cidade com um poderoso operariado devastado pelos altos índices de desemprego e pela precarização do trabalho. Uma greve dos PMs poderia ser o estopim pra revoltas sociais com desfechos imprevisíveis.

PMERJ: sob um ângulo de raça e classe
No estado do Rio de Janeiro, a repressão aos trabalhadores e ao povo negro sempre expressou uma verdadeira tragédia social e racial, especialmente quando levamos em consideração que, historicamente, a maior parte dos praças (soldados, cabos e sargentos) são negros e oriundos, muitas vezes, das periferias e dos morros do estado. Consequentemente, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro é a instituição que mais emprega negros no RJ!

A contradição social e racial é permanente. Segundo Carlos Nobre, a crise de “identidade militar negra” acomete também os oficiais militares negros:
Em outras palavras: o fato de ser oficial, ter curso superior e brilhar carreira não invalida o policial de ser visto como um individuo inferior em função do racismo (ainda marcante em nossa formação social) e do estigma da profissão. Em conversa informal, um oficial chegou a definir o policial como “o lixeiro da história”, devido ao fato dele ser solicitado sempre para fazer todos os trabalhos “sujos” da sociedade (2008, p. 237, grifo nosso).

Numa instituição de caráter militar, não-unificada, e que impede a livre organização dos policiais em formas sindicais, as tensões internas (a hierarquia, o racismo, o machismo, as humilhações, a corrupção etc.) entram, permanentemente, em choque com as demandas dos trabalhadores e do povo negro.
Há também os momentos onde a cultura corporativa desponta como marco fundamental entre eles e anula temporariamente a crise de enfrentamento entre os grupos ideológicos dentro da PM, ou seja, é quando todos estão em risco de vida, de trabalho ou de ameaças pelos “de fora”. É neste momento no qual a “identidade negra militar” se transforma na “identidade única da PM”, de outro modo, é quando todos se tornam “azuis”, uma referência a cor empregada no uniforme da corporação. Às vezes, os “ azuis” apontam que a mídia prejudica a imagem da corporação e que os policiais são também vítimas da insegurança pública. No entanto, as ONGs (Organizações Não Governamentais) e demais grupos progressistas lhe negam os benefícios dos direitos humanos, segundo seus argumentos para contrabalançar a pressão da sociedade civil por uma polícia cidadã (NOBRE, 2008, p. 238, grifo nosso).

Mas a “identidade única da PM” é incapaz de resistir às inúmeras pressões sociais e raciais, especialmente em momentos de crise econômica. Soldados, cabos e sargentos, são majoritariamente negros, possuem expectativas de vida menores que os oficiais, moram em bairros precários e são aqueles que se defrontam de forma mais aguda com as contradições postas pelo capitalismo: "homens negros matando homens negros".

A história é repleta de momentos em que a disciplina militar – com suas cadeias ideológicas – se rompe e os agentes repressores se dividem politicamente, atraídos pelo magnetismo das classes sociais polarizadas.


Podemos estar vivendo um desses momentos. Por isso, mais do que nunca é preciso demonstrar solidariedade aos policiais, aproveitar a crise política para ganhar o que surja de melhor nessas lutas e criar as pontes necessárias para a construção de uma Greve Geral que derrube os pacotes dos governos estaduais e que derrube os governantes. Esse pode ser o caminho para a construção de uma Greve Geral no Brasil que ponha em xeque o Governo Temer (PMDB).

Frente à violência impingida aos trabalhadores por setores que se aproveitam da ausência de policiamento, é preciso auto-organização dos trabalhadores em comitês ou associações de auto-defesa, com vigílias e patrulhamento de seus bairros.

Por fim, como o horizonte só pode ser o socialismo, é preciso dizer que com o aprofundamento da polarização social soldados podem passar para o lado dos revolucionários com armas em punho! A corrosão dessas instituições repressoras soará como o princípio do ocaso da burguesia (machista, racista e homofóbica) na sociedade brasileira.

Todo apoio à Greve dos PMs!
Desmilitarização, já!
Descriminalização das drogas, já!
GREVE GERAL para derrubar esses governos e seus pacotes de maldade!
FORA HARTUNG (PMDB)
FORA PEZÃO (PMDB)
FORA TEMER! FORA TODOS ELES!
POR UM GOVERNO SOCIALISTA DOS TRABALHADORES!

Referências
NOBRE, Carlos. O negro na Polícia Militar: Cor, Crime e Carreira no Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro: Universidade Cândido Mendes, 2008.

1Ver: cspconlutas.org.br/2017/02/policiais-militares-do-espirito-santo-exigem-reajuste-salarial-enquanto-familiares-protestam/.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

De um lado, os oito homens mais ricos do mundo. Do outro, 3,6 bilhões de pobres


Neste dia 16 de janeiro, um relatório divulgado pela Oxfam, um conjunto de ONG’s que atuam em diversos países, mostra a brutal concentração de renda no mundo. Nada menos que os oito homens mais ricos do mundo detêm um patrimônio equivalente à metade mais pobre da humanidade, ou 3,6 bilhões de pessoas.
Por: Diego Cruz
Esses oito senhores detêm, juntos, uma riqueza de US$ 426 bilhões. Já a metade mais pobre tem o equivalente a apenas 0,25% da riqueza global, estimada em US$ 255 trilhões. Os dados constam do relatório “Uma economia para os 99%” e foram organizados a partir de informações do Credit Suisse Wealth Report 2016 e da lista dos super-ricos da revista Forbes.
Desde 2015, a parte que representa apenas 1% da humanidade tem mais riquezas que o resto do planeta. Neste mesmo ano, as dez maiores empresas do mundo tiveram um faturamento maior que o de 180 países juntos.
E essa desigualdade tende a crescer mais ainda. Entre 1988 e 2011, a renda dos 10% mais pobres no mundo cresceu US$ 65 dólares, enquanto que a do 1% mais rico aumentou US$ 11.800 dólares, 182 vezes mais. Nos EUA, a renda da metade mais pobre da população ficou inalterada, enquanto a do 1% mais rico cresceu três vezes.
Quem é esse 1%? Os 1.810 bilionários que constam na lista da Forbes são quase que exclusivamente homens: 89%. Acumulam uma fortuna de US$ 6,5 trilhões, equivalente ao que tem 70% da população mais pobre do mundo.
O relatório aponta ainda as dificuldades enfrentadas pelas mulheres. Primeiro, em ter um emprego. As chances de mulheres participarem do mercado de trabalho é 27% menor que os homens. Arrumando emprego, têm mais chances de ficarem de fora da legislação trabalhista, ou seja, são obrigados a permanecer na informalidade. E por fim, no emprego formal, as mulheres ganham menos que os homens.

Um capitalismo mais “humano”?
O relatório divulgado pela Oxfam é um importante documento de denúncia e mostra bem uma das tendências centrais do capitalismo: uma concentração cada vez maior da riqueza, com o aumento do fosso entre ricos e pobres. É ainda uma resposta contundente aos que advogam que “o capitalismo deu certo”. Qual o motivo de haver 700 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza num mundo que produz US$ 255 trilhões? O problema é justamente no que se propõe: um capitalismo mais “humano”.
Partindo do princípio mais do que correto de que a atual hiperconcentração é insustentável, a Oxfam propõe um conjunto de medidas a fim de reduzir essa desigualdade que passa por reformas rumo a uma “economia humana”. Tais medidas incluem a democratização dos governos e a cooperação entre eles em favor dos mais pobres, a atuação das empresas “em benefício de todos” e não exclusivamente do lucro, a taxação das grandes fortunas com o combate à sonegação fiscal, entre outras.
Como o próprio relatório aponta, o Banco Mundial, o FMI, o presidente Barack Obama, dizem a mesma coisa: é necessário reduzir a desigualdade. Ora, então por que não se reduz? Por que esse fosso só aumenta? Porque, por trás das palavras, os governos e os organismos multilaterais são instrumentos do imperialismo e da burguesia para manter e perpetuar essa situação. Pedir para agirem contra os seus próprios interesses é pedir para um escorpião aferroar a si próprio. Nunca vai acontecer.
Os governos não vão agir contra os interesses da classe que representam. As empresas não vão atuar contra a lógica que lhe dá sentido: a maximização dos lucros. Os Estados Nacionais não vão agir de forma “cooperada”, já que os interesses de suas burguesias são inconciliáveis e o imperialismo sempre vai buscar explorar os países coloniais e semicoloniais.
Mas deveríamos então lutar contra os governos para impor medidas como a taxação das grandes fortunas e das transações financeiras, como propõe o economista francês Thomas Piketty? É certo que devemos nos colocar contra o brutal sistema tributário regressivo que penaliza os mais pobres, assim como defender a taxação das grandes fortunas. Mas isso por si só resolveria o problema?
A questão é que a Oxfam, Piketty, dentre tantos outros que propõem um capitalismo de rosto humano (como a taxa Tobin muito discutida no início dos anos 2000), não tocam no cerne do problema: o capitalismo é um sistema que funciona com base na exploração de uma classe sobre a outra, que representa a grande maioria da população. A classe trabalhadora, que é quem realmente produz as riquezas, contraditoriamente goza de ínfima parte do que ela mesma produz. Quase tudo vai compor o patrimônio desse 1% da população.
A desigualdade crescente é reflexo dessa contradição. Posições como a da Oxfam partem do pressuposto de que a existência de trabalhadores e patrões é legítima, ou seja, é justo que alguns trabalhem e outros vivam com base no trabalho alheio. O que deveria haver, para eles, é um pouquinho de consciência “humana” para que os empresários e governos tornem a vida desses que trabalham um pouco mais suportável. Uma utopia reacionária.
O que existe não é uma mera questão de distribuição de renda. Taxar as grandes fortunas não resolve o problema. Tampouco a questão de fundo é que os ricos pagam pouco imposto. Tudo o que os ricos têm, da fortuna que gozam ao próprio imposto que pagam, é fruto do trabalho da classe que exploram. A exploração, e não a distribuição de renda, é o verdadeiro problema.
E não tem como acabar com a exploração sem dar cabo do sistema sobre o qual ele se assenta: o capitalismo.