sábado, 7 de setembro de 2013

NOTA DO PSTU FLORIANÓPOLIS: POR QUE NÃO PARTICIPAMOS DO ATO DE SEXTA (06/09) NA ESQUINA DEMOCRÁTICA SOBRE A SÍRIA

Fora Bashar Al Assad! Não à intervenção imperialista! Pela Vitória da Revolução Síria!


Na sexta-feira (06/09) realizou-se uma manifestação na esquina democrática, no Centro de Florianópolis, palco de várias manifestações contra os desmandos de governos, patrões, do imperialismo e, inclusive, de várias ditaduras pelo mundo.

Lamentavelmente, o ato que se organizou, conforme a convocatória que foi feita e assinada por várias organizações, não é apenas um ato contra uma intervenção militar feita pelos EUA na Síria, mas também claramente a favor da ditadura da família Assad na Síria e contra o processo de mobilização popular vivido naquele país que tomou proporções armadas.

Essa é um desserviço a educação classista e socialista dos trabalhadores e, inclusive, um desserviço à luta contra o próprio imperialismo. Não é apoiando ditaduras burguesas sangrentas e contrarrevolucionárias que vamos nos opor ao imperialismo. Chamamos ao conjunto dos companheiros a que reflitam sobre o que se defende para a Síria e que marchemos juntos ao lado do povo sírio, contra o imperialismo e a ditadura.

Nós do PSTU sempre estivemos e continuaremos na linha de frente das lutas antiimperialista, a exemplo da luta contra a ALCA, contra as dívidas externa e interna e contra todas as invasões e guerras imperialistas.


É preciso lutar contra a agressão imperialista à Síria!

Os governos das principias potências imperialistas, além da Turquia, estão preparando um ataque militar à Síria. Mesmo depois da derrota no Parlamento britânico, que votou contra a participação inglesa no conflito, o governo de Obama declarou que está preparado para atuar de forma isolada, ou, na melhor das hipóteses, com o apoio direto de um ou outro governo.

O imperialismo, cinicamente, afirma que esta intervenção armada teria objetivos “humanitários” e seria para “proteger civis” sírios, usando como pretexto o brutal e repudiável ataque com armas químicas nos subúrbios de Damasco feito pelo regime dos Assad, no qual morreram pelo menos 1.400 pessoas. Isso é mais uma grande mentira imperialista!

Nós do PSTU estamos contrários a qualquer intervenção dos EUA ou por qualquer outra via do imperialismo na Síria. Isso não vai diminuir o sofrimento do povo sírio. Só vai aumentar! A exemplo do que ocorreu nas invasões imperialistas do Afeganistão, do Iraque e do Haiti, onde este último contou com a liderança das tropas brasileiras a mando lamentavelmente dos governos de Lula e Dilma. Chamamos ao conjunto dos movimentos sociais ligados a classe trabalhadora a repudiarem qualquer agressão imperialista na Síria! 

O imperialismo sempre intervém com seus próprios objetivos, que invariavelmente passam por suas pretensões de dominar diretamente a economia e a política do país que ataca. Essa também é a razão pela qual apoia Israel na usurpação dos territórios e na limpeza étnica contra o povo palestino e pela qual apoia a monarquia ultrarreacionária da Arábia Saudita, a qual usou para reprimir a justa luta do povo do Bahrein contra seu governo, outra monarquia fantoche do imperialismo. E esse também é o mesmo objetivo de rapina na Síria.


Mas é preciso lutar também contra o regime da Família Assad!

Já virou um ditado popular a frase de Sun Tzu de que "quem não sabe contra quem luta não pode vencer a guerra". Devemos saber quem é a família Assad. Ao longo de quase meio século de tirania a família Assad foi centralizando poder, riqueza e comando, através de laços familiares e de interesses de classe que foram se formando e se consolidando. O irmão de Bashar, que se chama Maher Al-Assad, dirige a repressão de estado junto de um núcleo muito restrito. O primo de Bashar, chamado Rami Makhlouf, é o mais rico empresário da Síria beneficiado pelas privatizações que acabou abocanhando em nome do clã Assad. Inclusive, Rami é um emprestador para o Estado Sírio lucrando muito com isso. O "laico" regime de Bashar Al-Assad fez de sua família e do seu regime um pilar fundamental da garantia dos interesses da burguesia do país, fazendo transmissões de poder de pai para filho.

O regime também possui fortes ligações econômicas e políticas com outros países, a se destacar Irã, Rússia, Cuba, o Hezbolah no Líbano e a Venezuela, que dão total apoio ao genocídio realizado pela família Assad que já provocou a morte de mais de 120 mil pessoas (na maioria civis).

Mas as relações internacionais do regime de Assad não se restringem a esses países. Os Assad sempre estreitaram relações com os EUA e o Estado de Israel. As colinas de Golã tomadas da Síria há aproximadamente quarenta anos são conhecidas como a mais tranquila fronteira do Estado de Israel devido a passividade do regime diante dos sionistas. Em 1976 a família Assad ocupou o Líbano para derrotar o movimento nacional palestino a pedido dos EUA e de Israel. Em 1992 deslocou milhares de soldados para invadir o Iraque na coalizão do Bush pai. Documentos revelados pelo Wikileaks comprovam que os Assad, assim como Kadaffi, na Líbia, praticaram tortura e prisões terceirizadas para a CIA e mantinham relações estreitas com essa agência norte-americana. Inclusive, quando um setor dos palestinos passou para a oposição ao regime ele começou a bombardear sistematicamente campos de refugiados, como é o caso de Yarmuk, em Damasco, hoje sob um cerco que os impede de receber alimentos e medicamentos, repetindo os mesmos métodos dos sionistas.

Vale acrescentar. Por que em quase 50 anos de poder da família Assad o país viveu tantos retrocessos econômicos e políticos se este governo seria progressista? Por que a ditadura proíbe qualquer direito de greve ou manifestação e inexiste qualquer organização dos trabalhadores, do povo pobre e da juventude no país e a pouca que existe é perseguida duramente pela ditadura? Por que a ditadura dos Assad sempre governou por meio de lei marcial se representa os justos interesses da população? Por que quem lota os auditórios dos poucos pronunciamentos de Bashar sobre a situação do país é a camada rica do país e não a pobre? Tudo isso demonstra o caráter de classe burguês e pró-imperialista irrefutável da família Assad. Ser contra o imperialismo implica ser contra a ditadura dos Assad.


A oposição síria

Hoje a família Assad se utiliza dos piores métodos, só comparáveis ao fascismo de Hitler ou do Estado de Israel, para se manter no poder. São bombardeios aéreos, atiradores de elite, tortura, estupros, prisões, corte de itens essenciais como a água, armas de destruição em massa e etc. contra populações civis e opositores que não possuem as mesmas armas sofisticadas. Mesmo assim a revolução não desiste. Ser revolucionário na Síria, pelas condições impostas pelo regime, é uma necessidade para se manter vivo. Em mais de 2 anos de guerra civil já tivemos dezenas de milhares de mortos, mais de 4 milhões de desalojados que vagam pelo país devido a dureza dos ataques do regime, e quase 2 milhões de refugiados que procuram desesperadamente fugir para países como o Iraque, Jordânia, Turquia ou Líbano e não encontram amparo diante da fome, da repressão, das doenças, da falta das condições mais básicas de higiene e moradia e das adversidades climáticas.

E quem são as vítimas da sanha assassina do regime? São camponeses pobres, sem terra, trabalhadores pobres, desempregados, crianças, jovens, idosos. É o povo pobre morrendo das piores e mais horrendas formas possíveis! Enquanto isso a imensa maioria dos bem vestidos, dos ricos e da elite lota os locais que Bashar utiliza para proferir seus discursos.

Tudo bem diferente do quadro pintado pela maioria da esquerda que diz se tratar de um confronto, onde de um lado temos o regime defendendo a soberania nacional, e do outro lado, temos um exército mercenário financiado por grandes potências querendo usurpar o poder.

Um "detalhe" importante: enquanto o regime tem tanques de guerra, aviões de caças, armas químicas, misseis teleguiados e defesa antiaérea, os tais "mercenários" que são "financiados" pelas grandes potências econômicas e militares do globo, tem que se virar com um arsenal rudimentar, de armas leves e pouco treinamento e inteligência militar. Se realmente fosse uma luta de libertação nacional o regime não bombardearia as principais cidades do país e a população civil e sim a armaria para enfrentar o inimigo externo.

Não podemos nos enganar de onde está a revolução e onde está a contrarrevolução. A contrarrevolução está sim no campo do imperialismo, mas também com o regime. É verdade que hoje no campo da revolução síria atuam setores pró-imperialista e defensores do sectarismo religioso que jogam contra uma maior unidade das massas sírias. Mas isso não nos desobriga de apoiar ativamente a revolução procurando dar um rumo consequente para ela. Da mesma forma que não nos desobriga de fazer toda a unidade na ação possível com o Hamas na Faixa de Gaza que defende um estado teocrático ou com as milícias que combatem os EUA no Iraque e no Afeganistão que também possuem um caráter teocrático e todas elas conseguem financiamento de forma no mínimo obscura. Na verdade, toda essa realidade só aumenta nosso dever diante da revolução. A crise de direção revolucionária revela todo seu papel determinante nessas horas, como já havia preconizado Trotsky na primeira metade do século XX.


Aprofundando o debate sobre a estratégia do imperialismo para a Síria

A política de Obama, mesmo depois do início do levantamento popular contra a ditadura síria, que iniciou de maneira pacífica, foi a de apoiar Al Assad, já que este lhe prestou valiosos serviços em relação à segurança de Israel e à estabilização da região. A hipocrisia do imperialismo não tem limites. Enquanto Al Assad era capaz de lhes garantir estabilidade, Obama e as principais potências europeias sempre fecharam os olhos ante toda a repressão e os crimes de sua ditadura sanguinária.

O imperialismo retirou o seu apoio ao ditador - e não ao regime em si - somente quando percebeu que mantê-lo, diante da luta armada do povo sírio, tinha se tornado insustentável do ponto de vista do principal interesse dos EUA neste momento: estabilizar o país e derrotar a revolução chamada de "Primavera Árabe" em toda a região.

No entanto, a posição do imperialismo a favor da saída de Bashar Al Assad não significa que tenha abandonado a política de negociar uma saída, até onde seja possível, entre o regime e os setores pró-imperialistas da oposição, como o Conselho Nacional Sírio (CNS). Dentro da gama de possibilidades militares, o imperialismo está considerando aquelas opções com o menor custo político, em um país e uma região abalada por um poderoso processo de revoluções populares.

Neste contexto, essa alternativa seria a menos arriscada para o imperialismo, que não tem condições políticas - em meio a uma grave crise econômica mundial e a oposição da população de seus próprios países a intervenções militares - para invadir militarmente a Síria mediante um ataque terrestre.  Mesmo uma zona de exclusão aérea está sendo pensada com o maior cuidado, pois as defesas antiaéreas do regime Assad não são desprezíveis.

O imperialismo não só não tem qualquer pretensão humanitária na sua invasão a Síria, mas sim quer impedir qualquer vitória sobre o regime diretamente pelas mãos da oposição síria. Enfim, não tem qualquer interesse na vitória da revolução. Se os EUA quisessem realmente ajudar os rebeldes sírios a derrubar Assad, há muito tempo e antes da perda de tantas vidas já lhes teria fornecido, incondicionalmente, as armas pesadas que tanto necessitam, como aviões, tanques e mísseis antiaéreos.

Caso caia do poder a família Assad, os EUA exigirão o desarmamento de todos os revolucionários para que sejam eles - ou seus fantoches, que não faltam nem faltarão - os que detenham o monopólio militar e, assim, "estabilizar" o país em prol de seus interesses. Mas nada indica que cumprir esses planos será uma tarefa fácil para o imperialismo, como não está sendo, por exemplo, na Líbia, posto que uma grandiosa revolução está em curso na Síria e em toda a região.

Silenciar ou apoiar o regime da família Assad serve acima de tudo para esconder dos trabalhadores do mundo todo os reais objetivos da intervenção imperialista naquele país!


Uma Política Revolucionária para a Síria

Estamos totalmente contra a intervenção imperialista, mas isso não pode nos levar a apoiar a ditadura sanguinária de Al Assad, que massacra o seu povo sem nenhuma consideração, um povo que luta bravamente para acabar com seu regime. Isso é o que o castro-chavismo faz e por isso tornou-se cúmplice dos crimes horrendos desses ditadores.

A classe trabalhadora e os povos do mundo devem estar, mais do que nunca, ao lado da revolução síria contra a ditadura de Al Assad e, ao mesmo tempo, repudiar a possível intervenção do imperialismo nesse país.

É necessário desmontar a campanha que está sendo feita nos países imperialistas para justificar a intervenção militar, mobilizando-nos contra os governos que preparam os planos de intervenção armada. Devemos denunciar que a possível intervenção, ainda que se tente encobri-la com um manto "humanitário" a partir dos horríveis massacres de Al Assad, tem como real objetivo impor novos senhores ao povo sírio.

A saída é outra: o total apoio aos rebeldes. Isso significa o envio incondicional e imediato de armas pesadas e de todo tipo de suprimentos, como remédios e equipamentos, para a resistência síria, assim como a abertura das fronteiras dos países para a passagem desta ajuda e dos lutadores que estão dispostos a combater contra Assad.

Ao mesmo tempo, exigimos, em todos os países, a ruptura imediata das relações diplomáticas e comerciais com a ditadura síria.

Fora Al Assad! Não à intervenção imperialista!

Por mobilizações de apoio em todos os países à revolução síria e contra os planos de invasão imperialista!

Pela ruptura das relações diplomáticas e comerciais com a ditadura síria!

Que os governos do mundo enviem armas e medicamentos para os rebeldes sírios!

Pelo triunfo da revolução síria!



PSTU Florianópolis - 06/09/2013

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