quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O abismo social entre negros e brancos continua

Dez anos de governos petistas: A propaganda da “nova classe média” esconde a manutenção da desigualdade racial no Brasil

Março de 2003. É fundada a SEPPIR (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), com status de ministério, para combater o racismo.
Julho de 2013. PM’s da UPP da Rocinha torturam e  assassinam o pedreiro negro Amarildo de Souza. Em todo país, milhões perguntam: “Onde está Amarildo?”. As UPP’s (Unidades de Polícia Pacificadoras) são apresentadas como modelos de segurança pelo governador Sérgio Cabral (PMDB), aliado do governo petista. Lula e Dilma nada falam sobre o tema, para não se chocar com seu aliado Cabral.
A continuidade do genocídio da população negra nos bairros pobres das grandes cidades confirma que a situação dos negros, em essência, não mudou após dez anos de governo petista.
A burguesia tem cor 
Em novembro, mês da consciência negra, muitas festas promovidas pelo governo ocorrerão no país. Os governistas vão querer mostrar como a situação dos negros mudou com Lula e Dilma. Será isso verdade?
Infelizmente, não. Em 2010, enquanto a média salarial dos brancos chegava a R$ 1.538, a de um negro não passava de R$ 834. Já as mulheres negras recebiam a metade disto.
Os negros e negras são maioria absoluta nos trabalhos domésticos, enquanto os brancos ocupam as profissões mais qualificadas. A justiça continua livrando a burguesia branca e corrupta da cadeia, enquanto os presídios estão lotados de negros.
Os governistas vão tentar se explicar com estatísticas mostrando pequenas melhoras. Mas não podem esconder a realidade. Em dez anos, quem ganhou muito dinheiro foi a burguesia. E ela tem cor: branca.
No governo Lula os bancos lucraram R$ 199 bilhões, muito mais que os  R$ 31 bilhões no governo FHC. Os banqueiros ganharam 550% mais com o PT do que com o PSDB. Com Dilma, esse absurdo seguiu. No primeiro semestre de 2013, o Bradesco teve um lucro de R$ 5,86 bilhões, o maior de sua história.
Lula e Dilma privilegiaram o agronegócio, baseada em grandes propriedades agrícolas de brancos. Na outra extremidade social, pode-se ver a cor negra dos operários agrícolas e dos sem terras.
Os ricos e brancos , quando doentes, são atendidos prontamente em hospitais superequipados por médicos especializados. As filas enormes  nos hospitais públicos matam  a população pobre majoritáriamente negra.
A farsa da “nova classe média negra”
Os governos petistas divulgam que existe uma nova classe média no país, na qual estariam presentes muitos negros, que seria produto da distribuição de renda promovida por seus governos.
Na verdade, existe uma ampliação da classe trabalhadora, fruto dos anos de crescimento econômico, que passou a ter acesso ao consumo pela expansão do crédito. Uma ampliação apoiada na  precariedade e do endividamento.
O crescimento econômico gerou 20 milhões de empregos, que tiveram pequenos ganhos também com a modesta elevação do salário mínimo.  O Bolsa Família incorporou ao mercado milhões de pessoas. Isso levou a pequena elevação da renda dos setores mais pauperizados do povo brasileiro.
Junto com isso, ocorreu uma queda dos salários e precarização das condições de trabalho de categorias como metalúrgicos, eletricitários, petroleiros, bancários, servi­dores públicos e outros.
Ou seja, houve uma ampliação da base salarial dos trabalhadores e um achatamento nos setores mais elevados. O salário médio real elevou-se só em 7% entre 2002 e 2010 segundo o IBGE.
O que impressiona no Brasil governado pelo PT não é a “nova classe média”. É que os ricos ficaram ainda mais ricos. Segundo a lista Forbes,  os 74 bilionários brasileiros (nos quais não existe nenhum negro) têm hoje um patrimônio de 346,3 bilhões de reais, quase 7% do PIB do País.
 O abismo continua
A população negra e a enorme maioria do movimento negro, ainda veem no governo um aliado no combate ao racismo. Em parte isso se deve à aprovação das cotas raciais e sociais nas universidades federais. Mas isso foi uma conquista do movimento após anos de luta. Infelizmente, porém, também longe do que era reivindicado.
Os governistas vão mostrar a “preocupação social” do PT através do Programa Universidade para Todos (ProUni). Isso, na verdade, mostra as limitações do PT. Em dez anos, os governos petistas poderiam ter multiplicado as vagas nas universidades públicas, nas quais teriam acesso os jovens negros. Mas o ProUni joga a população negra em escolas privadas de baixa qualidade, e enriquece ainda mais os cofres dos donos (majoritariamente brancos) das escolas privadas através da destinação de milhões de reais em isenções fiscais e do pagamento de mensalidades.
Um ano antes do PT chegar ao poder, as condições de moradia, saúde, educação e saneamento básico da população branca ocupavam a 47ª posição entre as nações mais desenvolvidas. Já o “Brasil Negro” estava na 107ª posição do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Em 2009, a situação era praticamente a mesma: os brancos no 40ª lugar no ranking, e os negros na 104ª posição. Em 2010, o analfabetismo entre brancos, com mais de 15 anos, era 5,9%; entre negros, 14,4%.
A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial não fez avançar a luta contra o racismo. Mas promoveu uma gigantesca cooptação das lideranças do movimento negros para o governo do PT. De repente, milhares de lideranças sindicais, estudantis e populares do movimento negro assumiram cargos de confiança. Enquanto isso, os governos petistas foram abandonando as principais bandeiras do movimento negro.
O Estatuto da Igualdade Racial foi votado em 2010. Seu texto original, construído pelo movimento negro, foi completamente mutilado em função de um acordo espúrio entre a Seppir, e os Senadores Paim (PT-RS) e o corrupto Demóstenes Torres (DEM-GO). Foram retiradas bandeiras históricas como as cotas, a regulamentação e titulação das terras quilombolas e até mesmo qualquer menção aos termos raça, escravidão e identidade negra.
Na verdade, tanto Lula como Dilma governaram e governam para as grandes empresas, propriedades dos brancos. E o resultado é a manutenção do abismo social entre brancos e negros no país.
É preciso exigir ao governo Dilma que pare a violência sobre a juventude negra nos bairros pobres. Expulsão e prisão imediata dos policiais assassinos! Desmilitarização das polícias! Trabalho igual salário igual!
Publicado no Opinião Socialista 472, especial Raça e Classe

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