quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O que é assédio?

Secretaria de combate as opressões do PSTU Florianópolis

No dia 30 de outubro foi ao ar uma edição do programa Amor e Sexo, da Rede Globo, cujo tema era cantadas de rua. Comandado pela apresentadora Fernanda Lima, o programa trouxe, dentre outras coisas, cinco pedreiros “atraentes” que falariam sobre as cantadas que costumam passar nas mulheres na rua. Dois deles eram negros, três eram brancos, e todos estavam “à caráter” no palco (de macacão, bota, capacete e marmita na mão). Um deles, cujos olhos verdes foram exaltados, “passou” a seguinte “cantada” na atriz Letícia Spiller que simulava como a Babalu , sua personagem sensual dos anos 1990, reagiria a cantadas na rua: “Babalu, Babalu, vem aqui pra eu te mastigar!”. 
A própria Letícia Spiller relatou nesse mesmo programa que, certa vez, um desconhecido enfiou a mão por baixo de seu vestido e tocou suas partes íntimas. Lamentavelmente, a atmosfera do programa não deu margem para outra coisa senão o riso. Mas será mesmo que “cantadas de rua” não são nada demais?

Dar o nome correto às coisas

Em primeiro lugar é importante dizer o seguinte: cantada de rua é assédio! Ou seja, toda vez que um homem “passa uma cantada” em uma mulher na rua ele está assediando-a! Mas o que vem a ser assédio?
Segundo o Dicionário Caldas Aulete, a palavra assédio significa: “1) ação militar de cerco a lugar, posição, bastião etc. que se quer conquistar; 2) Fig. Insistência em aproximar-se de, em abordar alguém: O assédio dos fãs irritou o astro”. 
Portanto, assediar significa cercar algo; invadir o espaço daquilo que se quer conquistar. Significa, também, insistir em abordar alguém mesmo que isso lhe cause desconforto. Ora, não é disso que estamos tratando aqui?
Quando homens assediam mulheres na rua eles agem como se elas fossem coisas que pudessem ser possuídas e/ou tomadas. Isso acontece porque vivemos em uma sociedade machista, isto é, uma sociedade que prega que os homens são superiores às mulheres e que, por isso, tem direitos sobre elas. Portanto, o assédio é uma prática machista que não respeita a vontade da mulher, não respeita sua individualidade e nem o seu espaço.
É importante destacar, também, que o assédio é uma ação de coerção, e vai na contramão do respeito e do romance. Nas palavras de Juliana de Faria, criadora da campanha Fiu Fiu :
“Assédio é VIOLÊNCIA. É uma abordagem, muitas vezes grosseira e ofensiva, feita alheia à vontade da mulher. E como não tem consentimento, muitas vezes ela amedronta, humilha e até traumatiza. Segundo a ONU, UMA em cada 5 mulheres no mundo já sofreu uma violência sexual. É claro que muitas de nós teremos um gatilho mais sensível a esse comportamento, às tais ~cantadas~. Então por isso quem tem que ter a palavra final sobre se foi ou não ofensivo, se foi ou não humilhante, se é ou não chato ter um cara dizendo pra você sorrir, “querida” somos nós, mulheres”.

Cantada não é elogio, é assédio. E o assédio é um desrespeito à vontade da mulher e uma violência praticada por homens que não respeitam, num espaço público, a individualidade e o espaço privado das mulheres.

O assédio é a antessala da violência física

Em 2012, o Brasil registrou a 7ª posição no ranking de países com a maior taxa de homicídio feminino, com 4,4 mulheres assassinadas a cada 100 mil habitantes. As taxas mais altas de violência contra mulheres estão concentradas na faixa dos 15 aos 29 anos, taxas que cresceram no período de 2000 a 2010 . E para aqueles que perguntam: o que isso tem a ver com assédio?! Nós respondemos: tem muito a ver!
O assédio é a antessala da violência física praticada contra as mulheres, e é assim por dois motivos: em primeiro lugar, porque o assédio já é uma forma de violência, isto é, uma ação que invade o espaço individual das mulheres e que as constrangem; em segundo lugar, porque o assédio reforça a ideia de que os homens podem abordar as mulheres da maneira que quiserem, aonde quiserem, pavimentando o caminho para práticas ainda mais invasivas.
A luta das mulheres, ao longo da história, conseguiu importantes conquistas. Mas, no capitalismo, nenhuma vitória é definitiva. Por isso, as mulheres precisam estar organizadas e continuar lutando para manter e avançar nas suas bandeiras.
O PSTU é um partido de mulheres e homens trabalhadores. Lutamos por uma revolução socialista que abra caminho para a completa igualdade social da mulher. Até lá, somos radicais no combate a qualquer forma de opressão e lutamos por mais direitos para as mulheres. Para nós, só é possível vencer se a classe trabalhadora - homens e mulheres - estiver unida. O machismo enfraquece a nossa classe e favorece o capitalismo.
O PSTU aproveita para fazer um chamado às mulheres jovens e trabalhadoras que estão nas lutas conosco para entrar nas nossas fileiras e fortalecer a luta contra a exploração e a opressão.



Veja abaixo o vídeo de uma ONG dos EUA sobre assédio: uma mulher comum andando nas ruas.  Esse é o tipo de violência que as mulheres enfrentam todos os dias: 




Reações:

1 comentários:

Se começarmos a chamar de violência um estímulo audio-visual cujo critério de julgamento pertença àquele que se diz violado então um racista poderá se dizer vítima de assédio por parte de um negro simplesmente por este último ter se comunicado com o primeiro. Uma pessoa que deseja abordar outra numa conotação sexual não tem como saber de antemão qual tipo de abordagem será bem aceita e qual será desagradável. Acho q nesses casos cabe mais o estímulo ao diálogo do q a acusação de assédio. Discordo que o assédio seja a antessala da violência, a violência é impulsionada unicamente pela perspectiva de impunidade.

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