terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Por que o PSTU não participa da Frente Povo sem Medo?

No dia 8 de outubro de 2015 foi lançado em São Paulo a “Frente do Povo sem Medo”, iniciativa do MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto) que diz resistir a algumas medidas do ajuste fiscal e à ofensiva da direita. Neste dia o lançamento acontece em Florianópolis. Achamos muito importante a luta contra qualquer ataque à nossa classe, porém os objetivos políticos desta Frente são insuficientes para resistir ao ajuste fiscal. Nós, do PSTU, não estamos compondo esta frente e viemos por meio desta nota explicar os motivos.

O Manifesto aprovado no dia 8 coloca que o Congresso Nacional e os “grupos mais conservadores” vêm atacando o direito dos trabalhadores. Não falam em nenhum momento que quem está com a tesoura na mão para cortar nossos direitos é o governo de Dilma e do PT e que conta, apesar das disputas pelo governo, com o apoio da oposição burguesa liderada pelo PSDB.

A pergunta que fazemos às companheiras e companheiros da Frente é: quem presenteou os banqueiros com o ministério da Fazendo com a nomeação de Joaquim Levy? Por que o PT e PC do B não expulsaram este ministro do governo? A resposta é muito simples. Pelas próprias palavras da presidente Dilma, este ministro não aplica nada mais nada menos que o programa de governo do PT para a economia. Este governo quer que nós trabalhadores e trabalhadoras paguemos por esta crise que não é nossa. Ao esta frente não ser de oposição ao governo federal só o fortalece para continuar nos atacando.

Além disso, não podemos lutar contra o governo ao lado de quem o blinda. Fazer uma frente com a CUT, UNE, MST e CTB é fazer frente com quem vem defendendo o governo. A CUT ajudou o governo a aplicar o PPE. A UNE ajudou as reitorias a aprovarem o REUNI nas universidades e agora a restringir o direito de meia entrada estudantil. O MST não rompe com um governo que tem os piores índices de reforma agrária e a CTB defende com unhas e dentes o atrelamento dos sindicatos ao Estado através do imposto sindical.

Quando a imprensa perguntou para o presidente CUT de São Paulo o que era a Frente do Povo sem Medo, incrivelmente sua resposta foi muito sincera. O dirigente afirmou que esta seria a mesma coisa que a Frente Brasil Popular (frente criada pelo PT, PC do B e Consulta Popular para defender abertamente o governo) só que sem a participação de partidos políticos. A única forma de ser consequente com a luta contra o ajuste é sendo oposição categórica a este governo dos banqueiros e empresários. Infelizmente, não é isso a que se propõe a Frente do Povo Sem Medo. Nesse sentido chamamos os agrupamentos a Esquerda Marxista, o PCLCP, as Brigadas Populares que tem uma atuação nas lutas da cidade, e também o MTST e o PSOL que tem trajetória de se enfrentar com medidas de governos, a que rompam com a Frente Povo sem Medo e venham junto com a CSP-Conlutas e o Espaço Unidade de Ação a construir um campo independente dos trabalhadores e da juventude contra o governo, a oposição de direita, os banqueiros e os patrões.


Qual o posicionamento dos revolucionários diante do processo de Impeachment de Dilma?
Um outro tema importante da conjuntura e que tem gerado polêmicas e diferentes posicionamentos na esquerda é o do impeachment da presidente Dilma. Recentemente, o Polo Comunista Luís Carlos Prestes (ligado ao PSOL) lançou uma raivosa nota contra a exigência de “Fora Todos” que estão aí. Colocando-se assim como defensor intransigente do mandato de Dilma por mais que pontue algumas críticas às medidas do governo.

Acreditamos que a esquerda não pode cair na armadilha do discurso que defende Dilma e acusa que o que está em curso no país é um golpe. Já é indefensável hoje o governo Dilma somente pelos inúmeros ataques que foram feitos contra os trabalhadores. Mas também é preciso dizer claramente que o que hoje está em curso no país com o impeachment não é um golpe. Mas sim uma disputa reacionária e das mais baixas entre diferentes frações da burguesia para ver quem governa diante da diminuição da serventia do governo de Dilma e do PT ao não terem mais o controle no Brasil da economia e da situação política e social. O verdadeiro golpismo que existe e a esquerda combativa precisa denunciar é a retirada de direitos da nossa classe através do ajuste fiscal defendido pelo governo do PT e por sua oposição burguesa, liderada pelo PSDB.

Se negar a adotar uma postura de defesa do mandato de Dilma em nada significa apoiar o impeachment. A saída apontada pela oposição burguesa de direita, através do impeachment, significa entregar o poder ao atual vice, Michel Temer, do PMDB, partido fisiológico, expressão de caciques e oligarquias regionais, e que tem entre seus quadros figuras como Renan, Cunha, Sarney, Pinho Moreira e tantos outros corruptos e aproveitadores. Importante lembrar que é um partido que foi a todo tempo sustentado pelo PT. Essa saída também o PSDB vem dando indicação de apoiar, portanto, não é de interesse dos trabalhadores e da juventude e não vai mudar a nossa vida, pois seguirá sendo aplicada a mesma agenda econômica, expressa no documento do PMDB chamado “Uma ponte para o futuro!”.

Portanto, nessa conjuntura, em essência, são possíveis 3 posições políticas a respeito do governo federal. Uma primeira contra o impeachment e pela defesa do mandato de Dilma, mesmo que com críticas ao governo. Outra a favor do impeachment e de que o Congresso Nacional decida quem entra no lugar de Dilma, que ao que tudo indica seria Temer. Nenhuma dessas duas posições é correta porque coloca a classe trabalhadora a reboque de um dos dois campos burgueses em disputa. Nós, do PSTU, estamos propondo o Fora Dilma, Cunha, Temer, Aécio e esse Congresso! Fora todos eles!.  Estamos também exigindo novas eleições gerais que se chocam com as propostas burguesas majoritárias que se dividem entre a permanência de Dilma e a subida de Temer e a defesa de um governo socialista dos trabalhadores apoiado em Conselhos Populares. Sem derrubar esses políticos que aí estão o ajuste fiscal e também as medidas antidemocráticas, como a lei antiterrorismo, a redução da maioridade penal e a aprovação do PL 5069, não vão parar.


Uma chamado para a unidade para lutar

Nesse sentido chamamos os companheiros e companheiras dessas organizações e demais movimentos e entidades dos movimentos sociais a se somarem na construção da plenária do Espaço Unidade de Ação no dia 22 de janeiro. Conforme diz a convocatória do encontro:

“Convidamos a todas as entidades sindicais, populares e estudantis, partidos e organizações da esquerda socialista para uma grande plenária sindical e popular, a ser realizada na cidade de São Paulo, no dia 22 de janeiro de 2016, com o objetivo de definir um plano de ação para o próximo período, incluindo uma atividade nacional unificada desse campo, alternativa aos dois blocos políticos burgueses, de situação e oposição, que polarizam os rumos do país no momento” (disponível em: http://cspconlutas.org.br/2015/12/declaracao-do-espaco-de-unidade-de-acao-sobre-a-atual-situacao-politica-do-brasil/).

PSTU Florianópolis – 15/12/2015

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1 comentários:

Se o PCLCP é defensor intransigente do governo Dilma por que vocês estão os chamando para compor a frente junto com vocês?

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