terça-feira, 25 de outubro de 2016

Nem Gean Loureiro, nem Ângela Amin. É preciso votar nulo!

Gean Loureiro, do PMDB, e Ângela Amin, do PP, se enfrentam agora no segundo turno das eleições em Florianópolis. Nada de bom sairá de um governo municipal liderado por qualquer um desses dois grupos políticos, pois eles vêm se revezando no comando da prefeitura e de quem vem atacando os trabalhadores, a juventude, as mulheres, as negras e negros, e LGBTs da cidade, pelo menos nos últimos 20 anos.

Apesar de "brigarem" muito para vencer estas eleições, tanto Gean quanto Ângela representam o mesmo projeto político. Nesses últimos 20 anos a população de Florianópolis sofreu com um transporte público caro e com poucos horários e linhas de ônibus, enquanto os empresários do transporte ganharam rios de dinheiro. As filas das creches não foram resolvidas e muito menos as dos postos de saúde. O meio-ambiente vem sendo constantemente degradado e ecossistemas estão seriamente ameaçados, devido não somente ao precário saneamento básico, mas também graças ao loteamento sistemático de áreas importantes para a manutenção de espécies da flora e da fauna. Por outro lado, continua-se criminalizando as greves dos trabalhadores da prefeitura, bem como as lutas de movimentos sociais, assim como a pobreza de um modo geral. A Comcap e a Casan sofrem com constante sucateamento e com ameaças de privatização. Continua a inexistir uma política de moradia na cidade; a educação e a discussão sobre gênero foi barrada e a especulação imobiliária prosperou, assim como a corrupção, que contou com a "ajudinha" da câmara dos vereadores, que termina sua legislatura com mais da metade de seus membros envolvidos em escândalos de corrupção.

Nada demonstra mais que essas candidaturas são "mais do mesmo" do que as ligações íntimas que possuem. Gean Loureiro já foi líder do governo Ângela Amin na câmara de vereadores quando esta foi prefeita. Por sua vez, o vice de Ângela Amin, Rodolfo Pinto da Luz, fora vice de Gean Loureiro nas eleições passadas, do mesmo modo que fora secretário, ao lado de Gean, na administração Dário Berger. Já o vice de Gean, o João Batista, foi secretário municipal na gestão de Cesar Souza Jr, que por hora apoia a candidatura de Ângela Amin, e teve como vice João Amin. Não só não existem diferenças de projeto político entre eles, como possuem um mesmo passado.


Eles querem retirar seus direitos

Os partidos dos dois candidatos (PP e PMDB) que hoje estão no segundo turno em Florianópolis estiveram no governo Dilma Roussef (PT e PCdoB) quando este restringiu o acesso dos trabalhadores ao seguro desemprego e ao abono do PIS, juntamente quando o desemprego no país subia e a renda caía. Quando cortaram verbas da saúde e da educação para garantir o pagamento aos banqueiros por meio das dívidas públicas, ou quando privatizaram os campos do pré-sal brasileiro, ou ainda quando aprovaram o novo código florestal, que privilegiou somente o agronegócio.

Agora o PP e o PMDB estão juntos com Temer e Colombo, que dão continuidade ao ajuste fiscal iniciado por Dilma e pelo PT. Ao mesmo tempo em que Ângela Amim e Gean Loureiro prometem resolver todos os problemas da cidade, seus partidos estão no congresso nacional e nos governos Temer e Colombo tentando aprovar o Projeto de Lei 257/2016 e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016, que irão congelar orçamentos da saúde, da educação e das demais áreas sociais nas próximas décadas, inviabilizando qualquer promessa de ampliação dos serviços públicos.

Seus partidos ainda querem aprovar as reformas da previdência e trabalhista, quem irão impor - dentre outras coisas - a idade mínima para homens e mulheres em 65 anos, além de rebaixar  ou retirar outros direitos históricos dos trabalhadores ao procurar ampliar os limites de jornada de trabalho para até 12 horas diárias. Defendem o negociado acima do legislado e querem também a reforma do ensino médio, que visa a retirar da educação dos jovens o ensino da educação física, das artes, da sociologia e da filosofia, além de defenderem o projeto "escola sem partido", que impedirá  a construção de uma educação democrática, plural, laica e transformadora.


Chamar voto nulo e apostar na mobilização

Acreditamos que é hora de fazer uma ampla defesa do voto nulo. Não existe “mal menor” nessas eleições. Esse é o jeito que temos no momento de enfraquecer o futuro governo de Gean ou Ângela que vai usar do apoio conquistado nas urnas para aprofundar o ajuste fiscal, retirar direitos e criminalizar as lutas e a pobreza.

Acreditamos também que é o momento de unificar as lutas da juventude e dos trabalhadores. Devemos apoiar com toda força as ocupações de escolas, institutos e universidades realizadas pela juventude e as greves e mobilizações dos trabalhadores. Devemos construir nos locais de trabalho, de estudo e de moradia, o calendário de luta unificado das centrais sindicais com paralisações e atos previstos para os próximos dias 11 e 25 de novembro. Rumo à construção da greve geral contra todas as medidas que retiram direitos e essa política econômica que só gera desemprego e carestia do custo de vida!

Chamamos o PSOL de Elson Pereira, assim como o PCdoB de Ângela Albino e o PT, que se colocaram como candidaturas alternativas às que passaram para o segundo turno, para que se posicionem claramente pelo voto nulo. Não basta apenas criticar Gean e os Amins; é preciso ter uma posição enfática em defesa do voto nulo.

O PSTU agradece todos os votos que teve nessas eleições. Fizemos uma campanha que enfrentou toda a legislação antidemocrática e o boicote consciente da grande mídia. Não recebemos e não queremos o dinheiro de empresários e empresas. Cada voto dado no PSTU foi um voto dado num programa classista, revolucionário e socialista.

  • Nem Gean, nem os amins. Agora é voto nulo!
  • Unificar as lutas e construir a greve geral para defender os empregos e os direitos!
  • Fora Temer! Fora todos eles! Por eleições gerais com regras verdadeiramente democráticas!
  • Por um governo socialista dos trabalhadores, formados por conselhos populares!

Assinam a nota:

Gabriela Santetti - ex-candidata à prefeitura de Florianópolis e presidente municipal do PSTU;
José Augusto Alvarenga - ex-candidato a vice prefeito pelo PSTU.

Diretório municipal do PSTU.

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