quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Florianópolis na sombra da dengue

Florianópolis na sombra da dengue

Casos de dengue cresceram 18% em Santa Catarina no ano de 2016

Por Diogo Leal











  No ano de 2016 houve 4.379 casos de dengue em Santa Catarina e um surto epidêmico no oeste do estado². A cidade de Pinhalzinho teve 2.441 casos, o que significa que 01 a cada 06 pessoas da cidade teve dengue. O ano de 2016 foi também o primeiro ano em que houve casos de contaminação de dengue dentro da cidade de Florianópolis. O cerco do mosquito ao nosso estado está se fechando.
  A situação em Florianópolis é muito preocupante porque neste ano a capital registrou os seus 11 primeiros casos de transmissão de dengue dentro da própria cidade. Os surtos de dengue costumam acontecer após surgirem os primeiros casos de contaminação interna. Itajaí, por exemplo, registrou os primeiros casos em 2014, e em 2015 teve um surto que atingiu pelo menos 3157 pessoas³. Se os governantes não tomarem o combate ao mosquito aedes aegypti como prioridade, eles poderão acabar ajudando a doença a se espalhar pelo estado e a ter novas epidemias.

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  O governo do Estado e das prefeituras têm utilizado o método de lavar as próprias mãos e jogar o problema no colo da população: o Estado se exime da culpa repassando-a exclusivamente para a população que “não cuida da sua casa”. Um exemplo disso é que as autoridades só se preocupam com medidas para remediar e conscientizar, sem um plano de longo prazo e destinando pouca verba mesmo para isso. Em Florianópolis, por exemplo, deveriam haver o mínimo de 150 agentes de combate às endemias (ACE), porém há apenas metade desse número.

  Um combate efetivo ao mosquito da dengue passa pelos governantes encararem o problema de verdade. As medidas tomadas nas últimas décadas não estão funcionando. O plano do Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD) de 2002 previa que em 2015 haveria apenas 11 mil casos de dengue no país mas na realidade teve 1,6 milhão de casos. O que deu errado, o que está faltando?

  Segundo um agente de combate às endemias de Florianópolis5, para virar o jogo é preciso que o Estado e os governos de plantão busquem soluções também de médio e longo prazo. Significa investir em sistema de esgoto e de água encanada, em coleta de lixo e construir moradia popular para melhorar as condições de vida da população, especialmente da população pobre que é a mais atingida pelas doenças. O agente disse que com um investimento assim em infraestrutura eliminaria a maior parte dos focos de aedes aegypti que existem hoje e reduziria ao máximo os locais onde pode ter água parada para o mosquito depositar os ovos. E, para o curto prazo, é preciso investir na saúde pública, contratar mais agentes de combate as endemias e garantir os equipamentos necessários para realizar o trabalho.

Como o país se tornou refém de um mosquito

  Décadas atrás havia o emprego do chamado “mata mosquito” que o Estado brasileiro foi eliminando como consequência do descaso com as doenças transmitidas por mosquitos. A população nas cidades cresceu sem haver crescimento da infraestrutura básica para ela gerando vários possíveis locais para o aedes aegypti depositar seus ovos.
No final da década de 1990 e começo dos anos 2000 a dengue voltou a ser manchete nacional. 15 anos se passaram até ter o surto de zika no nordeste do país. Só quando a “bomba explodiu” e a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendou aos estrangeiros a não virem para o Brasil por causa da zika que os governantes voltaram a falar em combater “para valer” o mosquito. 
  Ou seja, o surto de dengue no país e o surgimento de duas novas doenças transmitidas pelo mesmo mosquito (zika e chikungunya) são consequências do descaso do Estado e dos sucessivos governos com a saúde da população brasileira, especialmente da mais pobre e explorada. Essa situação deve se agravar se o congresso nacional e o presidente Temer aprovarem o congelamento dos investimentos na saúde pública (PEC 55).

Um programa para combater o aedes aegypti



1 – Mais agentes de Saúde e de Endemias
Colocar em prática, desde já, um plano consequente para o combate ao Aedes aegypti, que passa por contratação massiva de agentes de saúde e agentes de combate as endemias para eliminar focos de reprodução de mosquito, eliminar todos os lixões a céu aberto, construir redes de esgoto e de saneamento básico.


2 – Mais investimento em pesquisa
Fim do ajuste fiscal. Disponibilização de todos os recursos financeiros necessários para a pesquisa científica em instituições estatais sobre o vírus Zika, inclusive para o possível desenvolvimento de uma vacina.

3 – Prevenção
O Governo deve distribuir, gratuitamente, repelentes de qualidade e mosquiteiros para toda a população, prioritariamente para às mulheres grávidas;

4 – Tratamento da microcefalia
Disponibilização dos melhores tratamentos gratuitos para as crianças com microcefalia e outras malformações congênitas. O governo deve fornecer um subsídio que garanta que as famílias tenham todas as condições econômicas de criar os seus filhos com dignidade. Garantia de estabilidade no emprego para todos os pais e mães de crianças com microcefalia e outras malformações congênitas.

5 – Fortalecer a Saúde Pública
Para que possa ser dado o melhor atendimento à classe trabalhadora, em especial às grávidas, neste momento, exigimos o fim do financiamento de empresas de saúde particular e planos de saúde. Investimento de 10% do PIB para o SUS, já! Estatização de grandes empresas e planos de saúde.

6 – Fim da dívida
Fim do pagamento da dívida aos banqueiros para criar um investimento emergencial para o SUS e para a investigação científica em instituições públicas.

7 – Socialismo
Para garantir que essas medidas sejam de fato aplicadas, é necessário lutar por um governo socialista dos trabalhadores, sem patrões.


1 - http://www.dive.sc.gov.br/index.php/arquivo-noticias/451-boletim-epidemiologico-n-34-2016-situacao-da-dengue-febre-do-chikungunya-e-zika-virus-em-santa-catarina-atualizado-em-3-12-2016-se-48-2016;
2 - http://www.dive.sc.gov.br/index.php/arquivo-noticias/451-boletim-epidemiologico-n-34-2016-situacao-da-dengue-febre-do-chikungunya-e-zika-virus-em-santa-catarina-atualizado-em-3-12-2016-se-48-2016;
3 -  http://www.itajai.sc.gov.br/noticia/14121#.WEssMLIrKUk;
4 - http://epoca.globo.com/vida/noticia/2016/02/por-que-estamos-perdendo-guerra-contra-o-aedes-aegypti.html
5 - O agente preferiu não se identificar.

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