quinta-feira, 20 de julho de 2017

Por que não vamos ao ato em defesa do Lula?



A Frente Brasil Popular está convocando para hoje, dia 20 de julho (quinta-feira), uma manifestação em várias cidades do país contra a condenação de Lula pelo caso do apartamento triplex. O ato em Florianópolis ocorrerá em frente à catedral. Não vamos nesse ato e nem o apoiamos. Precisamos pensar a serviço de quem está essa convocação e por que os setores combativos da juventude e trabalhadores não devem participar desse chamado.


O Projeto de Lula e do PT não são o projeto da Classe Trabalhadora
Antes de Lula chegar ao poder se dizia que pra mudar a vida dos trabalhadores, só apoiando Lula para presidente. Mas Lula e o PT já governaram o Brasil, e por mais de 13 anos! O projeto defendido por esses governos não foi o da classe trabalhadora.
As reformas da Previdência e Trabalhista já constavam na Carta ao Povo Brasileiro, lançada previamente as eleições de Lula, em 2002, e esta foi uma carta direcionada ao grande empresariado e sistema financeiro. Logo depois Lula não decepcionou. Aprovou a reforma da previdência de 2003 e a nova lei de falências que atacaram direitos previdenciários e trabalhistas da nossa classe, contando para isso com o mensalão no Congresso Nacional. Lula também vetou o fim do fator previdenciário.
Lula foi tão servil ao imperialismo que pagou de forma antecipada a dívida externa, acelerou o crescimento assombroso da dívida interna e liderou a invasão do Haiti a pedido de George Bush, ex-presidente dos EUA que patrocinou as guerras no Afeganistão e Iraque e um golpe de estado na Venezuela em 2002. Fez uma contrarreforma agrária no campo impulsionando o agronegócio às custas dos trabalhadores sem terra e dos povos quilombolas e indígenas.
Lula quando governou impulsionou as privatizações. Transformou os Correios numa empresa SA pronta para ser vendida, leiloou campos de petróleo e trouxe as privatizações também para a saúde e a educação públicas com as parcerias público-privadas. Lula também não foi nada democrático quando governou. Os assassinos dos quilombolas, indígenas e sem terra no campo continuaram impunes, assim como os crimes da ditadura militar. A juventude negra das periferias continuaram a ser vítimas de genocídio ou a ser encarcerada massivamente e sem nenhum direito de defesa. Até o exército nos morros cariocas Lula colocou.
Importante não esquecer que o atual ajuste fiscal de Temer começou ainda no governo Dilma. Dilma fez defesas enfáticas de ataque aos direitos trabalhistas, como as terceirizações. Defendeu a reforma do ensino médio aos moldes da atual realizada por Temer. Ela colocou como prioridade de seu governo, em 2016, a reforma da previdência, com medidas que Temer e o Congresso querem aprovar hoje. Nas palavras dela, seria uma questão que o país teria que encarar, assim como outros países que aumentaram a idade mínima de aposentadoria. Dilma também promoveu pesados cortes de verbas nas áreas sociais e lançou o PLP 257/16 para promover o congelamentos de gastos públicos, privatizações e retirada de direitos, inclusive, demissões de servidores públicos.
A vida do povo não melhorou com a “conciliação de classes”, porque esta é uma enganação. O aborto seguiu ilegal para manter o apoio da bancada evangélica; a reforma agrária não aconteceu para manter o apoio da bancada ruralista; e triplicou para 15 milhões o número de terceirizados para manter o apoio dos empresários; os recursos da saúde e da educação secaram para manter as dívidas públicas dos banqueiros pagas em dia; o congresso nacional seguiu sua lógica corrupta, patrocinada pelo executivo, com a distribuição de dinheiro por meios legais e ilegais para aprovar medidas contra a classe trabalhadora.
Se hoje o governo Temer ataca mais a classe trabalhadora é porque os governos do PT prepararam o terreno. Inclusive muitos dos atuais chefes do governo Temer são ex-aliados do PT, a começar pelo próprio Michel Temer e Henrique Meirelles.
Os que hoje defendem Lula dizem que devemos defender ele porque é perseguido por defender um projeto de Brasil diferente de Temer, Aécio, Maia e outros políticos da direita tradicional. No entanto, a realidade diz o contrário e o próprio Lula também. Em recentes declarações na imprensa, Lula soltou verdadeiras pérolas, que vão desde defender a classe política “como a mais honesta do país” até a não se comprometer em mover uma palha para revogar o que Temer aprovou.
Existem aqueles que na falta de um argumento sobre o que foram os governos Lula e Dilma e o que é Lula hoje falam de uma maquiavélica teoria da conspiração sobre a Lava-Jato, onde os Estados Unidos perseguem o PT por governar contra seus interesses, e nessa lógica Lula teria sido condenado por ser uma ameaça aos ricos e ao imperialismo. Mas então por que já não foi preso em 2002, antes de assumir a presidência da República? Como ele é uma ameaça se já falou que não voltará atrás nas reformas de Temer e defende os políticos “como a classe mais honesta do país”? Que interesses Lula ameaça? Ou em que prefeitura ou governo do estado que o PT está a frente no país atualmente o ajuste fiscal está sendo questionado ou medidas contra o imperialismo estão sendo tomadas?
Nessa disputa dos partidos tradicionais pela gerência do Estado burguês e o controle da corrupção, em meio a uma profunda crise econômica, social e política, não cabe à classe trabalhadora ficar a reboque do PT. Também não nos cabe ficar a reboque do judiciário brasileiro, do juiz Sérgio Moro e do STF. O judiciário brasileiro é seletivo porque é uma justiça de classe a serviço dos ricos e poderosos. A chapa Dilma-Temer foi inocentada e todas as provas de corrupção foram descartadas no julgamento presidido por Gilmar Mendes. Eike Batista e José Dirceu, junto de outros empresários ligados ao PT, foram soltos recentemente. Agora Aécio Neves pode voltar ao senado para aprovar a reforma trabalhista.


Qual a nossa prioridade?
Desde o início do ano já aconteceram vários dias de luta contra as reformas do governo Temer, o auge delas foi a greve geral do dia 28 de abril e a marcha à Brasília em 24 de maio, onde a classe trabalhadora mostrou que quer resistir aos ataques e derrubar esse governo e congresso corruptos. Por outro lado, as maiores centrais sindicais e entidades, ligadas ao PT e PCdoB, tem outras prioridades, e isso ficou muito nítido na mobilização do dia 30 de junho. Sua prioridade é colocar em primeiro plano a candidatura Lula 2018, com o lançamento da Frente Ampla.
Desse modo, dividiram tarefas na desmobilização com a Força Sindical, UGT, NCST e CSB, que negociaram diretamente com o governo Temer a aprovação da Reforma Trabalhista. Cada uma ao seu modo contribuiu para impedir uma nova greve geral no dia 30 de junho e, assim, abriram as portas para que o senado corrupto aprovasse a destruição dos direitos trabalhistas.
A despeito da traição dessas direções ocorreram importantes mobilizações na base com greves e atos no dia 30 de junho, demonstrando que a classe trabalhadora segue com disposição de luta. Mais do que nunca é necessário, que independente da saída que defendem, as organizações da classe trabalhadora devem dar centralidade para a luta contra as reformas, o governo e o congresso e pela construção de uma nova greve geral, pois é contra isso que a classe trabalhadora têm se colocado em movimento nos últimos meses.
Agora Temer aprovou a reforma trabalhista e o PT, junto da CUT e da UNE, não moveram uma agulha para promover atos após a aprovação da reforma trabalhista. O mesmo se repetiu na recente greve dos trabalhadores da Comcap em Florianópolis, onde com as modestas forças que temos, estivemos ao lado dos trabalhadores, dialogando e conscientizando sobre a necessidade de uma nova greve geral. E, infelizmente, não pudemos perceber o mesmo do PT e do PCdoB. Sua prioridade é fazer campanha para Lula 2018. Antes através das Diretas Já e agora através da defesa de Lula.


Qual a Saída?
A saída é continuar apostando na mobilização da classe trabalhadora e na independência de classe. É urgente agora uma nova greve geral, mais forte ainda, para derrubar Temer e impedir a reforma da previdência e revogar a reforma trabalhista, a lei das terceirizações e demais medidas de ataques a nossa classe. Disposição de luta existe na base para isso. Queremos todos os corruptos e corruptores na cadeia e seus bens confiscados!

Fora Temer, Fora Todos Eles!
Por um governo dos operários e do povo pobre, apoiado em Conselhos Populares!



PSTU Florianópolis – 20 de julho de 2017

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