domingo, 8 de abril de 2018

Abaixo a repressão aos Slams e às Batalhas de Hip-Hop! Rimar e lutar não é crime!


Por: PSTU Grande Florianópolis


O movimento de hip-hop e de poetas da Grande Florianópolis sofreu um grande ataque. No dia 20 de março, e a juventude da periferia realizava mais uma edição do Slam Continente na Praça do Kobrasol, em São José-SC, quando viaturas da Polícia Militar de Santa Catarina pararam no meio da praça e abordaram um jovem negro que chegava para o Slam.

A PM começou a revistar o jovem e, logo em seguida, ordenaram que todos os que estavam participando do Slam fossem pro “paredão”, com as mãos na cabeça.

Como de costume, as edições dos Slams e das Batalhas de hip-hop são filmadas pelos próprios participantes. E diante de uma operação arbitrária da PM, um dos jovens começou a filmar tudo. Isso irritou os PMs que tomaram o celular do jovem, e até o presente momento não o devolveram, alegando que o celular era uma prova.

Terminada a abordagem racista da PM e liberados, os jovens retornaram para a roda e entoaram o “grito de guerra” do Slam Continente: “POESIA QUE LIMPA A ALMA E ABRE A MENTE! SLAM CONTINENTE!”. Indignados com a atitude, a PM prendeu quatro jovens por pertubação à ordem!

Os jovens foram levados à Delegacia de Barreiros e só foram liberados após os quatro assinarem Termos Circunstanciados.

Por diversas vezes, a PM-SC vigia, intimida e reprime a juventude negra e da periferia que organiza Slams e Batalhas na Grande Florianópolis. Mas desta vez, passaram de todos os limites ao prenderem arbitrariamente quatro jovens, sem razão alguma.

Tudo isso ocorreu há apenas uma semana após o covarde assassinato de Marielle Franco, e um dia antes do Dia Mundial de combate ao Racismo

A repressão ao movimento hip-hop é a repressão a um dos principais movimentos sociais do país. A Grande Florianópolis é hoje uma das regiões com o maior número de batalhas de hip-hop e slams de poesia. 

Em novembro do ano passado, quatro militantes do movimento hip-hop do Quilombo Urbano, de São Luís-MA, foram presos e jogados no camburão da PM do governador Flávio Dino, do PCdoB, por lutarem por saneamento básico em seus bairros. Hoje, aguardam julgamento.

No Rio de Janeiro, cinco jovens ativistas do hip-hop foram covardemente executados na cidade de Maricá-RJ, no dia 26 de março deste ano. Tudo indica que essas execuções foram obras de mílicias. Testemunhas afirmam que os assassinos ordenaram que os cinco jovens deitassem no chão e após isso atiraram em suas cabeças.

As milícias são organizações compostas por membros de aparatos repressivos do Estado burguês (policiais, bombeiros etc) que impõem um regime de terror nas comunidades pobres das periferias do Rio, com conivência dos governos de plantão e, agora, debaixo de uma Intervenção Militar.

A Intervenção do Exército no Rio de Janeiro, comandada pelo General Interventor Walter Braga Neto, além de reprimir os trabalhadores pobres e negros, se revela como uma grande farsa já que mantém intocadas as áreas dominadas pelas milícias. Oito meses depois do início da Intervenção, nenhum território da milícia teve nem sequer uma rua ocupada1.

A Polícia que mais mata pobre também é a Polícia pobre que mais morre
Essa é a 14ª Ocupação do Exército no Rio de Janeiro2, em 10 anos. Foram 02 ocupações durante o Governo Lula, 08 com Dilma Rousseff e 04 com Michel Temer. Isso sem contar o uso da Força Nacional, uma guarda criada em 2004 pelo Governo Lula, para salvar a pele de prefeitos e governadores das greves e rebeliões operárias e populares que surgiam no país

Nós do PSTU somos contra a Intervenção Militar no Rio de Janeiro e lá estamos fazendo um chamado aos policiais e soldados do Exército para que se organizem e rompam com seus oficiais e comandantes! 

Ao longo da história, as Polícias Militares em todo o Brasil serviram para reprimir e matar negros. Primeiro nos quilombos, depois nas favelas e periferias do país. Mas isso precisa acabar!

Chega de cumprir ordens de comandantes e políticos corruptos que ordenam a repressão aos negros e trabalhadores, enquanto protegem os ricos e poderosos. Chega de cumprir ordens desses parasitas que vivem cercados de privilégios, enquanto os policiais vivem com baixos salários e endividados. Chega de soldados e cabos serem condenados a matar e a morrer em uma guerra a serviço dos ricos e poderosos!

Nós do PSTU defendemos democracia nos quartéis e que os PMs tenham liberdade para se organizar, inclusive, contra o seu alto comando e contra esse Estado burguês totalmente corrompido e a serviço dos ricos.

Exigimos da Polícia Militar de Santa Catarina o fim da repressão ao movimento hip-hop! Chega de reprimir a juventude pobre e negra para servir aos interesses do atual governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB) e Raimundo Colombo (PSD). Colombo é um dos muitos políticos investigados na Operação Lava Jato por corrupção e utiliza a PM para reprimir os pobres e trabalhadores, mantendo os ricos protegidos.

Chega de repressão à juventude negra e da periferia
Não temos dúvida alguma de que esses episódios de repressão ao Slam Continente e às Batalhas compõem um quadro de perseguição aos ativistas do hip-hop e à periferia. Uma perseguição racista e burguesa, e que não é de agora.

Vale lembrar que essa juventude que se reúne nas praças e calçadas das cidades catarinenses esteve junto à classe trabalhadora nas principais lutas do estado, como na Greve Geral e nos Dias Nacionais de Paralisação, terminando por construir em novembro a 1ª Marcha das Periferias de Florianópolis!

Estamos diante de um dos momentos mais ricos na história do hip-hop brasileiro. Há um enorme crescimento das Batalhas de Hip e Hop e rodas de poesia que chegam a reunir centenas de jovens negros e da periferia que, entre rimas e batidas, se formam, informam e denunciam o racismo, a violência policial, o desemprego, as injustiças e o capitalismo.

Por isso, gritamos: cada Batalha é um Quilombo erguido! Mexeu com ela, mexeu comigo!

  • Pelo fim da violência e repressão contra os pobres e negros nas periferias! Rimar e Lutar não é crime! 
  • Abaixo a Intervenção Militar no Rio de Janeiro!
  • Pela desmilitarização da Polícia Militar e pela democracia nos quartéis e livre organização dos soldados!
  • Pelo direito à autodefesa de negros, índios, mulheres e toda a classe trabalhadora.
  • Reparações para negros e indígenas, já!
  • Pela Revogação da Lei Antidroga de Lula e da Lei Antiterror de Dilma;
  • Pela descriminalização e legalização das drogas!
  • Por um governo operário, popular e socialista apoiado em conselhos populares!






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